30 Junho 2026
Especialistas apontam impactos já sentidos e formas de fortalecer a integração entre saúde mental e crise climática nas políticas públicas.
A informação é publicada por ClimaInfo, 29-06-2026.
A crise climática não representa mais uma ameaça ambiental futura: grupos historicamente vulneráveis, como indígenas e quilombolas, já sentem impactos concretos na saúde física e mental. Eventos extremos, como secas prolongadas, queimadas, ondas de calor e enchentes, têm intensificado quadros de ansiedade, sofrimento psicológico, depressão e deslocamentos forçados.
Contudo, no The Conversation Brasil, especialistas apontam que, nas políticas globais de adaptação climática, a saúde mental permanece praticamente invisível. É por isso que, desde 2022, a Organização Mundial da Saúde (OMS) defende que a saúde mental deve ser incluída nas respostas nacionais às mudanças climáticas.
“Se a floresta queimar, não há como buscar a cura”, afirma o indígena Alain Kumaruara. “O Pajé faz a conexão com os Encantados, que trazem cura psicológica, espiritual e física”, diz ele à Folha. Em comunidades quilombolas no Pará, lideranças relatam que o avanço do desmatamento, da monocultura, das fazendas e da poluição dos rios vem causando sofrimento psicológico, ansiedade, medo e sensação de perda coletiva.
O atendimento psicossocial especializado permanece distante da realidade comunitária. “As pessoas até vão para a primeira consulta, mas não dão continuidade”, relata uma liderança quilombola ao explicar os custos de deslocamento até o CAPS e a ausência de serviços permanentes dentro do território.
Para diminuir lacunas, o projeto Vertentes Saúde Mental e Clima propõe o mapeamento nacional de políticas de clima e de saúde mental para identificar tais lacunas e as possíveis oportunidades de incidência política, para elaborar uma estratégia e articular ações concretas de advocacy, com base em evidências. O projeto foi recentemente aprovado pela United for Global Mental Health (UnitedGMH), em parceria com o Vertentes – Ecossistema de Saúde Mental.
Com isso, o objetivo é fortalecer os sistemas públicos de saúde mental nos territórios mais vulnerabilizados, ampliar as estratégias de promoção e prevenção diante dos eventos extremos e reconhecer os Saberes Tradicionais como parte fundamental das respostas climáticas.
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