A doença invisível de Gaza

Foto: Anadolu Ajansi

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23 Junho 2026

Segundo dados do Ministério da Saúde palestino em Gaza, entre 70.000 e 80.000 pacientes diabéticos enfrentam riscos crescentes devido à grave escassez de insulina e tiras de teste de glicemia, à deterioração dos serviços de saúde e à desnutrição generalizada. Entre eles, mais de 2.500 crianças vivem com diabetes tipo 1, transformando o que normalmente seria uma doença crônica controlável em uma condição que coloca a vida em risco diariamente.

A informação é de Lina Ghassan Abu Zayed, publicada por il manifesto, 20-06-2026. A tradução é de Luisa Rabolini.

Em Gaza, em meio à guerra em curso e ao agravamento da situação humanitária, o diabetes tipo 1 não é mais facilmente controlável: o tratamento, que depende principalmente da insulina, do monitoramento diário da glicemia e de uma dieta controlada, tornou-se inacessível ou instável em muitos casos. No centro dessa crise está Ahmed, um jovem de 20 anos com diabetes tipo 1, cuja convivência com a doença se transformou em uma luta diária para obter o medicamento.

Antes da guerra, ele costumava comprar uma caneta de insulina na farmácia por 25 a 35 shekels (7 a 10 euros). Hoje, o preço subiu para um valor entre 75 e 100 shekels (22 a 30 euros) por caneta. Ele precisa de seis ou sete canetas por mês, o que representa um pesado gasto financeiro em um contexto de colapso das condições econômicas e da perda generalizada de renda.

Ahmed diz que passou a conhecer todas as farmácias da região. Até os farmacêuticos agora o conhecem por sua constante busca por insulina. Com o aumento dos preços e a escassez de fornecimentos, o acesso ao tratamento deixou de ser apenas uma questão médica e se tornou uma difícil escolha entre racionar as doses ou enfrentar graves complicações de saúde.

Nesse contexto, equilibrar a ingestão de alimentos e a insulina se torna um dos maiores desafios diários. Refeições irregulares ou ingestão limitada de alimentos podem causar flutuações severas nos níveis de glicose no sangue, levando a picos perigosos ou quedas repentinas que podem pôr em risco a vida. Em tempos de guerra e deslocamento, os pacientes precisam lidar com essa equação complexa diariamente.

Com o deslocamento contínuo e a necessidade de viver em tendas ou abrigos temporários, o controle da doença torna-se ainda mais difícil. Manter a insulina em temperaturas adequadas, respeitar as tabelas de administração e monitorar regularmente os níveis de glicose no sangue tornam-se desafios complexos na ausência condições sanitárias adequadas.

A perda dos medidores de glicose e das tiras de teste aumenta ainda mais o risco, obrigando os pacientes a dependerem exclusivamente dos sintomas físicos para avaliar sua condição. Mesmo quando os medidores de glicose são disponíveis, as tiras de teste continuam sendo um problema. Um aparelho que custa entre 250 e 300 shekels geralmente vem com um número muito limitado de tiras e, uma vez terminadas, torna-se inutilizável. Isso obriga alguns pacientes a comprarem novos aparelhos em vez de tiras de teste, mesmo no caso destas estarem disponíveis. Estimativas de campo sugerem que, em algumas áreas, uma alta porcentagem de pacientes com diabetes não consegue realizar controles regulares.

Às vezes os medicamentos podem até estar disponíveis no mercado, mas podem ter sido armazenados por longos períodos ou em condições inadequadas, levantando dúvidas sobre sua eficácia e tornando os resultados do tratamento incertos. As famílias temem que eventuais defeitos na insulina ou nos equipamentos de injeção possam criar uma falsa sensação de melhora, enquanto os níveis de açúcar no sangue permanecem descontrolados, aumentando o risco de complicações agudas, como a cetoacidose diabética, uma condição potencialmente fatal se não tratada prontamente. Endocrinologistas em Gaza alertam para os perigos ligados à escassez contínua de insulina, à conservação inadequada e à interrupção do acompanhamento médico, especialmente para crianças portadoras de diabetes tipo 1, que são totalmente dependentes de insulina para sobreviver. Eles também enfatizam que a desnutrição e as refeições irregulares complicam ainda mais a condição. Entre a escassez de medicamentos, o aumento dos preços, a desnutrição e o colapso do sistema de saúde, o diabetes está se transformando de uma doença crônica controlável em uma condição que coloca vidas em risco diariamente.

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