Um estudo da Universidade de Notre Dame relaciona as mudanças climáticas ao atraso no crescimento infantil na África

Foto: Wikimedia Commons

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20 Junho 2026

À medida que as temperaturas globais sobem, os impactos das mudanças climáticas não se limitam a ondas de calor mais extremas, inundações e tempestades. Elas também estão inibindo o crescimento de crianças e contribuindo para a desnutrição, segundo nova pesquisa da Universidade de Notre Dame.

A informação é de Brian Roewe, publicada por National Catholic Reporter (NCR), 19-06-2026.

O estudo, publicado em junho nos Proceedings of the National Academy of Sciences, encontrou uma associação direta entre as mudanças climáticas causadas pelo ser humano e o aumento do stunting infantil — comprometimento do crescimento ou desenvolvimento.

Os pesquisadores analisaram modelagem climática e temperaturas observadas juntamente com dados de pesquisas demográficas e de saúde de 2004 a 2020 para 34 países africanos. Determinaram que cada 1 grau Celsius de aumento na temperatura global associado a atividades humanas se vincula diretamente a um aumento de 3,45% no stunting infantil.

Isso equivale a cerca de 7 milhões de crianças, disse Arun Agrawal, um dos coautores do estudo e diretor da Iniciativa Just Transformations to Sustainability de Notre Dame. "É uma proporção significativa da população afetada, e é um efeito significativo nas chances de vida após o nascimento", disse ele ao EarthBeat.

O stunting, um indicador-chave de desnutrição, é comumente observado no peso e na altura reduzidos de uma criança. Uma variedade de fatores contribui para o stunting, incluindo dietas inadequadas, infecções repetidas e saneamento insuficiente, bem como genética, dieta e educação maternas e acesso à saúde.

Temperaturas mais altas também podem desempenhar um papel, tanto direta quanto indiretamente. Secas agravadas pelas mudanças climáticas, por exemplo, sobrecarregam a produção agrícola e o acesso a alimentos, piorando a nutrição tanto de crianças quanto de mães grávidas. O calor aumentado também pode impor estressores biológicos a uma criança no útero, como redução do fluxo sanguíneo através da placenta, disse Agrawal.

"Some isso com a disponibilidade reduzida de alimentos, e você obtém um duplo impacto das mudanças climáticas sobre o stunting", disse ele.

Em comunicado sobre o estudo, Agrawal chamou as mudanças climáticas de "multiplicador de ameaças" sobre as desigualdades sociais existentes que afetam comunidades vulneráveis e os lares mais pobres que carecem de meios para comprar alimentos em outro lugar após uma colheita ruim, perdendo fontes tanto de nutrição quanto de renda.

"Estamos vendo uma tradução física direta das emissões globais em subnutrição infantil. Quando o calor extremo limita a disponibilidade de alimentos e faz subir os preços, crianças pequenas são as primeiras a sofrer as consequências biológicas", disse ele. "Seus cérebros e corpos em desenvolvimento simplesmente não recebem o combustível de que precisam, cimentando um ciclo de pobreza intergeracional antes mesmo de completarem cinco anos."

De acordo com o estudo, em 2022 aproximadamente 149 milhões de crianças sofriam de stunting em todo o mundo, com a maior concentração em países de baixa e média renda, particularmente na África Subsaariana, onde 41% das crianças enfrentam stunting. A região também está entre as mais expostas aos impactos climáticos, tendo sido atingida nos últimos anos por secas extensas.

O impacto desproporcional das mudanças climáticas sobre as pessoas vulneráveis — que menos contribuíram para o problema, mas mais sofrem com ele, frequentemente carecendo de meios ou recursos para se adaptar ou responder às condições climáticas extremas — tem sido a mensagem orientadora da Igreja Católica e de outras comunidades religiosas.

A grande maioria do aquecimento global é causada pelo acúmulo de gases de efeito estufa na atmosfera, emitidos pela queima de combustíveis fósseis (carvão, petróleo e gás) pelos seres humanos. Os Estados Unidos são o maior emissor histórico, respondendo por aproximadamente um quinto das emissões totais de gases de efeito estufa, e ficam atrás apenas da China nas emissões atuais.

Desde o final dos anos 1800, a temperatura média global subiu 1,3 °C. As temperaturas estão a caminho de atingir 1,5 °C — um limiar fundamental após o qual os impactos climáticos deverão piorar rapidamente — em algum momento na próxima década, e entre 2,3 °C e 2,8 °C até o final do século, caso as nações cumpram seus planos climáticos declarados no âmbito do Acordo de Paris.

Estudos anteriores examinaram a relação entre temperaturas crescentes e stunting infantil, mas poucos isolaram o aquecimento antrópico para determinar seu papel específico, disse Nabin Pradhan, autor principal do estudo e pesquisador de pós-doutoramento na Escola Keough de Assuntos Globais de Notre Dame. Ao fazê-lo, foram capazes de descobrir evidências mais claras da conexão entre o stunting infantil e as mudanças climáticas induzidas pelo homem. "As mudanças climáticas impactam a desigualdade, então a desigualdade impacta o stunting", disse Pradhan.

Os pesquisadores sugeriram maior atenção e investimento em saneamento, educação materna e acesso à saúde nos países em desenvolvimento para melhorar a saúde infantil e reduzir o stunting e seus efeitos. Esse é um "papel significativo" que a Igreja Católica e sua vasta rede de hospitais e instalações de cuidado podem desempenhar, disse Agrawal.

"Há evidências substanciais já de que esses efeitos das mudanças climáticas sobre a saúde infantil e sobre o stunting podem ser mitigados por uma prestação efetiva de serviços de saúde e pelo acesso à saúde para os pobres e para as pessoas mais expostas a esses efeitos das mudanças climáticas. Portanto, acho que temos um papel muito importante a desempenhar em ajudar aqueles que estão em desvantagem e aqueles que estão sendo afetados adversamente pelo aumento das temperaturas e pelas mudanças climáticas."

Agrawal, que no início deste ano ajudou a lançar a Aliança Global por Laudato Si' com Notre Dame e o Vaticano, disse que a humanidade está diante de "uma situação bastante séria em que não estamos prestando atenção" à multiplicidade de maneiras pelas quais as mudanças climáticas estão impactando o mundo, incluindo a saúde das pessoas. Ele apontou para a necessidade de um maior foco no bem comum, tema enfatizado pelo Papa Francisco em sua encíclica de 2015 Laudato Si' e pelo Papa Leão XIV em sua primeira encíclica Magnifica Humanitas.

"Acho que a Igreja Católica, tanto sob o Papa Francisco quanto sob o Papa Leão, nos mostra o que precisamos fazer para enfrentar os tipos de desafios que nosso estudo está mostrando, os quais as pessoas — pessoas vulneráveis, pessoas marginalizadas — enfrentam por causa das mudanças climáticas. Precisamos cuidar do bem comum."

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