Papa se manifesta contra a violência contra as mulheres e a solidão em uma vigília em massa em Barcelona

Foto: Vatican Media

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10 Junho 2026

Ele celebrou uma cerimônia religiosa com jovens reunidos no Estádio Olímpico, onde artistas como Sergio Dalma, Beret, Álvaro Soler, Conchita e Siloé se apresentaram.

A informação é de Jesus Bastante, publicada por El Salto, 09-06-2026. 

“Como posso perdoar meu pai, que esteve prestes a me deixar sem mãe? Como posso me reconciliar de verdade com Deus?” A pergunta de um jovem por pouco não deixou sem palavras o Papa Leão XIV durante uma multidimensional vigília no Estádio Olímpico, na qual clamou contra a violência contra as mulheres, a “doença silenciosa” da depressão e do suicídio, e exigiu “um sistema de saúde que inclua entre suas prioridades esse mal-estar invisível e generalizado, que afeta também os jovens”.

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Antes de entrar no estádio, o pontífice abençoou 30 ambulâncias do projeto da Fundação Santa Clara, que nesta mesma noite partirão com destino à Ucrânia. O sucessor de Pedro agradeceu à monja tucumana Irmã Lucía Caram por seu trabalho, e se mostrou “muito preocupado” com a situação no país.

Já no interior, junto ao cardeal Omella, o bispo de Roma respondeu a várias perguntas-depoimento, alternando o catalão e o castelhano. Antes, passeou entre os mais de 40 mil fiéis que povoavam o recinto de Montjuïc, e assistiu a uma torre dos Castellers de Vilafranca. O primeiro dos depoimentos, o de um jovem recém-convertido, serviu para que o líder da Igreja Católica refletisse sobre a descoberta da fé, e a necessidade de “seguir buscando, buscar avançando, mas, sobretudo, buscar”, indo “ao profundo”.

De novo em catalão, o Santo Padre denunciou como “a idolatria do lucro e do rendimento, a ambição de ter que produzir sempre e ser vencedores, assim como o culto à própria imagem, não são mais que anestésicos para adormecer nossa consciência e adaptá-la a uma certa ideia de sociedade”.

Por outro lado, “quando as pessoas aprendem a parar, a dar valor às coisas importantes, a apreciar o tempo de modo novo e a pensar na própria vida deixando-se iluminar pelo Evangelho, desenvolvem também um pensamento crítico a respeito de um sistema social que não coloca a pessoa no centro e provoca situações de injustiça e de pobreza existenciais a diversos níveis”. “É por isso que a inquietude dá medo, assim como o descobrimento da interioridade, da espiritualidade e ainda mais do Evangelho”, finalizou.

O segundo depoimento abordou a depressão, a escuridão, as tentativas de suicídio. O máximo mandatário do Vaticano admitiu estar comovido diante das palavras da jovem. “Você se levantou e retomou o caminho e este é um milagre maravilhoso”, sublinhou, fazendo questão de destacar a “doença silenciosa” que a depressão representa. “É importante tomar consciência de como a saúde mental se vê cada vez mais ameaçada no contexto de sociedades que se consideram avançadas”.

“É um sinal de que há algo profundamente errado em uma certa ideia de crescimento que submete as pessoas a pressões, expectativas e tensões que comprometem equilíbrios fundamentais”, glosou. “Por isso é necessário um sistema de saúde que inclua entre suas prioridades esse mal-estar invisível e generalizado, que afeta também os jovens”, acrescentou.

“Há momentos de escuridão e de sofrimento que a nossa sociedade faz calar, porque precisamente alguns modelos culturais nos querem sempre vencedores e perfeitos e, por isso, o limite, a fragilidade e a dor devem ser eliminados, confinados ao silêncio ensurdecedor da solidão ou inclusive da vergonha”, refletiu, alertando contra os espiritualismos através do sofrimento. “Não devemos espiritualizar a dor, conduzindo-a superficialmente à ”vontade de Deus“ ou a algum misterioso projeto seu, porque isso corre o risco de minimizar esse sofrimento, de silenciá-lo, de ferir as pessoas”. Porque “Deus não quer o sofrimento”.

Finalmente, as perguntas que dão início a esta crônica. E a difícil resposta do pastor universal, denunciando “o clima envenenado nas relações familiares de abusos e opressões, e em particular de violência contra as mulheres, que frequentemente terminam lamentavelmente também em feminicídios”.

“Esta realidade dramática estamos chamados a abordar todos, seja pessoalmente, seja como sociedade, porque a nós corresponde enfrentá-la em todas as suas dimensões”, clamou. “Se existe a violência, se triunfa o egoísmo, se inclusive o amor entre familiares se transforma em ódio, devemos fazer algumas perguntas a nós mesmos, às dinâmicas da nossa sociedade, à cultura do individualismo, à tentação da violência, e não a Deus”, refletiu.

Apesar de tudo, acrescentou, “devemos aprender a olhar para o perdão, poderosa medicina contra o mal que cura nossas feridas interiores, como algo que faz parte de um processo, de um caminho”, sabendo que perdoar nem sempre equivale ao esquecimento: “Não devemos pensar que o perdão equivalha sempre e em todos os casos a voltar à situação anterior”, especialmente “quando o fato foi marcado também pela violência”. Com tudo, animou a “entrar cada vez mais na dinâmica do perdão e a nos reconciliarmos com o Creador e com os demais. Somos pecadores perdoados, estamos em paz e somos capazes de perdoar. Capazes de ser portadores de paz”.

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