09 Junho 2026
Há 80% de probabilidade de ocorrência do fenômeno El Niño. Em 2024, a seca, o desmatamento e o fogo colocaram a Amazônia em situação crítica.
A reportagem é de InfoAmazonia e El Espectador, publicada por InfoAmazonia, 03-06-2026.
Nesta semana, foi realizada na Alemanha uma reunião convocada pela Embaixada da Colômbia no país e pela Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA). O objetivo foi discutir a possibilidade de cooperação diplomática e científica para proteger a Amazônia diante dos impactos do fenômeno El Niño.
A reunião teve como foco especial o Manejo Integrado do Fogo, uma agenda voltada à proteção da biodiversidade amazônica, da saúde pública e da segurança dos territórios.
A Amazônia é uma das regiões mais importantes do mundo para a biodiversidade. Além de abrigar uma enorme variedade de espécies de fauna e flora, seus ecossistemas desempenham um papel fundamental no ciclo da água em diversas partes do planeta.
Os chamados rios voadores, formados pela evaporação da água presente na região e transportados para outras áreas do continente, são essenciais, por exemplo, para o abastecimento hídrico de ecossistemas de altitude, como os páramos andinos.
Em 2024, durante o último episódio do fenômeno El Niño que afetou o continente, a Amazônia enfrentou uma “tempestade perfeita”, marcada pela combinação de seca, desmatamento e fogo, o que causou impactos severos em toda a região.
Segundo a Organização Meteorológica Mundial, há 80% de probabilidade de que o fenômeno El Niño volte a se consolidar entre junho e agosto de 2026. Além disso, as autoridades preveem que o evento possa ser “forte ou muito forte”, o que representa um grande desafio para a conservação desses ecossistemas.
“Os participantes destacaram que a Amazônia enfrenta uma transformação estrutural no regime de incêndios, impulsionada pelas mudanças climáticas, pela degradação florestal e pela acelerada transformação das paisagens. A resposta a esse desafio exige cooperação diplomática, monitoramento integrado, prevenção, fortalecimento das capacidades locais, financiamento contínuo e reconhecimento dos conhecimentos tradicionais dos povos indígenas e das comunidades amazônicas”, afirmou a OTCA em comunicado.
A reunião também contou com a participação de cientistas colombianos, que apresentaram aspectos-chave da conservação amazônica e os riscos associados a esse cenário.
“O encontro foi concluído com um chamado para aprofundar a cooperação regional e internacional em defesa da Amazônia diante dos riscos climáticos atuais e futuros. A Embaixada da Colômbia na Alemanha e a OTCA destacaram a necessidade de articular esforços entre governos, organismos regionais, agências de cooperação internacional, academia, comunidades indígenas e a diáspora científica para transformar conhecimento em ação e fortalecer a preparação da região para o ciclo de risco climático de 2026–2027”, informou a OTCA.
Outros países amazônicos, incluindo o Brasil, mas também Bolívia, Equador e Peru, apresentaram avanços na coordenação de redes transnacionais de monitoramento e manejo do fogo, uma das estratégias adotadas para controlar os incêndios e prevenir o desmatamento.
Inscreva-se para o evento aqui.
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