26 Mai 2026
Algo está se movendo na Europa. O eixo entre Roma e Berlim, que até agora havia evitado sanções contra o governo israelense, se dissolveu após o vídeo do Ministro da Segurança Nacional, Ben-Gvir, que zomba dos homens e mulheres da Flotilha algemados no chão.
A informação é de Federico Capurso e Irene Famà, publicada por La Stampa, 23-05-2026. A tradução é de Luisa Rabolini.
Os dois países, juntamente com a França e o Reino Unido, agora pedem formalmente ao governo israelense que "pôr um fim à expansão dos assentamentos, garantir a responsabilização pela violência dos colonos e investigar as acusações contra as forças israelenses, respeitar a custódia hashemita sobre os Lugares Sagrados e revogar as restrições financeiras à Autoridade Palestina e à economia palestina". Em outras palavras, querem um fim para o governo de Benjamin Netanyahu. "A solução dos dois Estados" é "a única paz justa e duradoura possível", reiterou ontem a primeira-ministra Giorgia Meloni. No início da tarde de hoje, a Alta Representante da UE para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança, Kaja Kallas, aceitou o pedido do ministro italiano do Exterior, Antonio Tajani, para discutir possíveis sanções contra Ben-Gvir. Algo também se move na frente judicial, pois os magistrados da Procuradoria de Roma estão estudando o vídeo da prisão dos ativistas e iniciaram uma investigação por tortura, sequestro, danos materiais e roubo, também pelo ataque à Primeira Flotilha em outubro passado.
Espera-se que as sanções contra Ben-Gvir sejam apresentadas no Conselho Europeu dos Negócios Estrangeiros em 15 de junho, caso se chegue a um acordo. Do contrário, os tempos poderiam se alongar em mais duas ou três semanas. No momento, a proposta italiana, apresentada na reunião dos Representantes Permanentes dos 27 Estados-Membros, já recebeu o apoio de Espanha, França, Bélgica, Suécia, Portugal, Irlanda, Luxemburgo e Países Baixos. No entanto, é necessária a unanimidade, e a Alemanha é fundamental. Para tanto, Tajani está em contato com seu colega alemão, Johann Wadephul, tentando encontrar um consenso baseado em uma convicção compartilhada dentro do governo: as sanções devem se limitar a Ben-Gvir, excluindo outros membros do governo, incluindo o primeiro-ministro Netanyahu, ou outras figuras israelenses. Para a centro-esquerda, isso é muito pouco. "É só isso? Estamos acordando agora?", questiona Giuseppe Conte, líder do M5S. A secretária do Partido Democrático, Elly Schlein, é da mesma opinião: "Ben-Gvir não é a exceção do governo israelense; infelizmente, é a regra", enfatiza, defendendo a aplicação também de "sanções comerciais".
A Comissão Europeia já impôs sanções contra um grupo de colonos israelenses responsáveis por atos de violência nos Territórios Palestinos Ocupados, que serão formalizadas na próxima semana.
No entanto, a Itália no momento é contrária, por exemplo, a tomar outras medidas contra as empresas dos colonos nos territórios ocupados na Cisjordânia.
Enquanto isso, na esfera judicial, os magistrados romanos começaram a ouvir as primeiras testemunhas, entre as quais o deputado do Movimento Cinco Estrelas, Dario Carotenuto, e o jornalista Alessandro Mantovani. Estão sendo ouvidas as denúncias dos ativistas e de suas equipes jurídicas. Uma reunião está marcada para segunda-feira na promotoria, onde também estão sendo avaliadas as acusações de tortura e agressão sexual, além de sequestro e danos com perigo de naufrágio. O vídeo de Ben-Gvir, sob investigação, será usado para verificar a presença de italianos entre os ativistas maltratados e para identificar os militares responsáveis pelos abusos. Será avaliada também a possibilidade de proceder em relação à posição do ministro israelense que, diante das câmeras, parabeniza os soldados mais violentos e sorri: "Bem-vindos a Israel. Aqui, quem manda somos nós." A lista, compilada pela Fundação Hind Rajab, contendo os perfis de seis militares acusados por ativistas de maus-tratos e violência, foi também enviada à Procuradoria de Roma.
O caso da Flotilha abala as consciências e, às vésperas da Assembleia Geral da Conferência Episcopal Italiana (b), também a rede internacional "Padres Contra o Genocídio", formada por mais de 2.200 padres, 25 bispos e dois cardeais de 58 países, entregou uma carta aberta aos bispos italianos, pedindo à CEI para se posicionar contra os sofrimentos infligidos por Israel ao povo palestino.
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