ONU alerta sobre as consequências de uma “pandemia digital”, que “provavelmente acontecerá”

Fonte: Pexels

Mais Lidos

  • Brasil detém a segunda maior reserva global de terras raras conhecidas no mundo. Exploração desses recursos naturais estará em pauta nas eleições presidenciais deste ano, observa o geógrafo

    Terras raras e a transformação do Brasil em periferia extrativa global. Entrevista especial com Ricardo Assis Gonçalves

    LER MAIS
  • Feijão com agrotóxicos acima do limite expõe falhas de fiscalização

    LER MAIS
  • Trump viaja para a China envergonhado após a afronta iraniana

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

06 Mai 2026

A Organização das Nações Unidas (ONU) alertou que uma série de eventos, embora possam parecer improváveis, podem levar a uma “pandemia digital”. “É algo que provavelmente acontecerá, e nenhum ator ou país sozinho poderá enfrentá-la”, destacou Doreen Bogdan-Martin, secretária-geral da União Internacional de Telecomunicações (UIT), ao apresentar em Genebra as conclusões de um estudo sobre essas ameaças.

A reportagem é publicada por Naiz, 05-05-2026. A tradução é do Cepat.

As guerras e as mudanças climáticas contribuem para aumentar a probabilidade de tais eventos, por isso a secretária-geral da UIT defendeu que se integre “a resiliência no DNA das tecnologias das quais dependemos”.

Os especialistas analisaram a fragilidade dos sistemas digitais interconectados em terra, mar e espaço, e propuseram uma estratégia para fortalecer a preparação global, embora as ameaças consideradas não incluam ataques e quedas intencionais dos sistemas digitais.

Medidas a serem implementadas

A estratégia que propõem inclui medidas como aprimorar o conhecimento sobre as vulnerabilidades existentes, modernizar a gestão de riscos, fortalecer os sistemas de backup e aumentar a coordenação internacional em relação aos riscos críticos.

Além disso, apontam uma vulnerabilidade adicional: a perda de capacidades analógicas. “Muitas sociedades substituíram processos tradicionais por digitais sem manter alternativas offline, o que limita a capacidade de resposta a falhas sistêmicas”, alerta o estudo.

O relatório ressalta que a dependência de tecnologias digitais criou vulnerabilidades pouco visíveis e analisa cenários que permanecem “ocultos”.

“Uma forte tempestade solar pode inutilizar satélites, afetar sistemas de navegação e desestabilizar redes elétricas, com tempos de recuperação de meses”, afirmam os especialistas.

Em outra suposição, caso haja temperaturas extremas, data centers podem entrar em colapso, provocando interrupções em serviços móveis, de saúde e financeiros.

A isso se somam os riscos físicos, como terremotos ou outros desastres naturais, que podem danificar cabos submarinos e deixar países inteiros sem conectividade por semanas, afetando gravemente a atividade econômica.

Fortalecer a resiliência digital

Para evitar que qualquer uma dessas situações se materialize, pede-se a governos, empresas e sociedade civil que ajam com senso de urgência, fortaleçam de forma coordenada a resiliência digital e protejam serviços essenciais como saúde, finanças e resposta a emergências.

Isso permitiria prever “riscos que podem se espalhar rapidamente por meio de infraestruturas altamente interdependentes”, explica o estudo preparado pela UIT, em colaboração com o Escritório das Nações Unidas para a Redução do Risco de Desastres e a universidade francesa Sciences Po, com a participação de especialistas de doze países.

O representante da ONU para a redução do risco de desastres, Kamal Kishore, destacou que a questão não é se uma ou mais das situações descritas ocorrerão, mas quando acontecerão.

Bogdan-Martin se referiu a uma situação ocorrida há um século e meio (em 1859), quando uma tempestade interrompeu o serviço telegráfico, “que naquela época era como a internet de agora”.

Leia mais