28 Abril 2026
Após eventos extremos, recuperação da floresta acontece com baixa na biodiversidade e aumento da vulnerabilidade.
A informação é publicada por ClimaInfo, 27-04-2026.
Um estudo publicado na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) identificou que, mesmo após eventos extremos, como incêndios, secas severas e tempestades de vento, a Floresta Amazônica degradada demonstra alta capacidade de regeneração. No entanto, essa recuperação acontece com perda de diversidade e aumento de vulnerabilidade a novos distúrbios.
Pesquisadores da Unicamp documentaram a perturbação e a recuperação em uma floresta de transição entre a Amazônia e o Cerrado chamada Tanguro, em Mato Grosso. Foram acompanhadas três áreas de 50 hectares cada, uma com controle sem queimada, outra queimada anualmente (entre 2004 e 2010) e outra com queimas trienais (2004, 2007 e 2010), detalham Agência Fapesp e Pará Terra Boa.
“A escolha do lugar é chave, já que modelos climáticos consideram que a região de transição da Amazônia para o Cerrado será a primeira a sofrer mudanças com os impactos do aquecimento global”, explica o ecólogo e professor do Instituto de Biologia (IB) da Unicamp, Rafael Silva Oliveira.
Os resultados mostram que a recuperação da floresta foi mais rápida em seu interior do que nas áreas de borda. Além disso, houve a recuperação de alguns serviços ecossistêmicos, como os fluxos de carbono e de água. No entanto, a composição de espécies mudou, passou a ter mais generalistas, com maior tolerância à seca. A composição original não voltou mesmo depois de 14 anos, informa a Folha.
Em paralelo, eventos de seca extrema registrados em 2007 e 2010 elevaram em 30% a mortalidade das árvores. Outro evento extremo, uma tempestade de vento, foi responsável por derrubar 5% das árvores na área, o que equivale à mortalidade esperada ao longo de um ano, detalha o Portal Amazônia.
Para os pesquisadores, a compreensão dos danos à floresta é fundamental para orientar sua conservação e estratégias de mitigação, principalmente frente a eventos como o El Niño – que deve chegar nos próximos meses.
Mesmo com a queda do desmatamento na Amazônia, o bioma vem sofrendo degradações constantes, sendo o fogo o principal fator. Entre agosto de 2025 e janeiro de 2026, o desmatamento na Amazônia Legal chegou a 1.324 km²; já a degradação atingiu 2.923 km² no mesmo período.
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