18 Abril 2026
A Comissão Episcopal Sociotransformadora da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) criticou o avanço da “pejotização irrestrita” no país, em uma nota técnica publicada nesta quinta-feira (16), e pediu que o Supremo Tribunal Federal (STF) se posicione sobre o tema.
A reportagem é de Júlia Motta, publicada por Revista Fórum, 17-04-2026.
No documento, que circulou entre bispos e arcebispos e foi obtido pela Folha de S. Paulo, a comissão afirma que se a pejotização se transformar no novo modelo de trabalho no Brasil, causaria uma ruptura na proteção social da população e agravaria a concentração de renda, com a conta recaindo sobre os mais vulneráveis.
Os bispos, então, pedem que a Igreja se posicione sobre o tema. A nota técnica foi divulgada no momento em que o STF analisa o tema e logo após o presidente Lula (PT) pedir que os sindicatos pressionem o ministro Gilmar Mendes para que se posicione contrário à pejotização.
“A demora injustificada na apreciação da matéria contribui para a consolidação progressiva de práticas que, uma vez disseminadas, poderão tornar-se extremamente difíceis de reverter”, afirma a CNBB na nota.
O documento deve servir como base para a 62ª Assembleia da CNBB, que acontece até o dia 24 de abril, em São Paulo, e a expectativa dos bispos é que a conferência se posicione contra a pejotização.
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