Obsessão de Trump por Groenlândia e Venezuela contradiz discurso negacionista climático

Foto: Daniel Torok/The White House/Flickr

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

26 Fevereiro 2026

Ações do presidente dos Estados Unidos contradizem sua narrativa costumeira de que as mudanças climáticas são falsas.

A reportagem é publicada por Climainfo, 25-02-2026.

Ao mesmo tempo em que chama as mudanças climáticas de “o maior golpe feito no mundo”, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, dá passos geopolíticos que, segundo especialistas ouvidos pela Folha, só fazem sentido em um mundo mais quente. Logo, chamá-lo de “negacionista” é mais do que um reducionismo. É um equívoco.

A obsessão do “agente laranja” pela Groenlândia é o exemplo mais recente. Com o degelo acelerado do Ártico, a região virou alvo de uma “corrida do ouro” moderna. As rotas marítimas estão se tornando mais navegáveis, e a Rússia, principal potência ártica, vem realizando investimentos no Mar do Norte.

Trump entende que pode estar acontecendo essa história de derretimento de gelo porque todo mundo quer alguma coisa [na região]. E ele tem essa postura de querer ser sempre o primeiro da corrida”, avalia Karina Spohr, professora da London School of Economics and Political Science e especialista em política ártica.

Além disso, a Groenlândia é considerada uma possível grande fornecedora de terras raras. Apenas uma pequena parte desse material é passível de exploração atualmente, mas há expectativa de que a extração se torne mais fácil com as mudanças climáticas. “O fato de ter menos cobertura de neve no inverno torna as operações, de fato, mais simples, com toda a logística facilitada”, explica Claudio Angelo, coordenador de Política Internacional do Observatório do Clima.

Já na Venezuela, a captura do presidente Nicolás Maduro, em janeiro de 2026, teve entre seus objetivos declarados permitir a exploração do petróleo local pelos EUA. Embora a fixação de Trump com combustíveis fósseis possa parecer, à primeira vista, uma manifestação clássica de negacionismo, Angelo mostra que se trata de um equívoco.

Ao ampliar a oferta de petróleo no mercado e, portanto, baratear o produto, o “agente laranja” mantém a indústria estadunidense competitiva frente às fontes renováveis, que hoje são mais baratas e puxadas pela China. “Os EUA querem quebrar a competição com a China vendendo e impondo ao máximo de países que conseguirem uma tecnologia ultrapassada”, diz o especialista do OC. “Isso em si já é outra admissão de que existe mudança climática”, afirma.

Leia mais