Um aperto aos bispos contra viagens e compras de luxo. O Papa: "Chega de autocratas"

Foto: Tobias Polinder/Unsplash

Mais Lidos

  • Trump esvazia ordem mundial e gera “momento nefasto” para as Américas. Entrevista com Guilherme Casarões

    LER MAIS
  • “Dizer que somos ambientalistas, sem fazer nada, é também um tipo de negacionismo climático”. Entrevista com Alberto Garzón

    LER MAIS
  • O Amor de Deus é insuficiente. Artigo de Matias Soares

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

09 Fevereiro 2026

O bispo cuja atuação a Santa Sé quer ver com clareza tenta dissipar as dúvidas argumentando que "decisões ousadas nascem do desejo de não deixar vazios espirituais ou sociais no tecido urbano. A Igreja de Alessandria não teme o confronto. Somente da verdade e da escuta sincera pode nascer um serviço renovado ao território."

A reportagem é de Valentina Frezzato e Giacomo Galeazzi, publicada por La Stampa, 24-01-2026. A tradução é de Luisa Rabolini.

Seiscentos quilômetros mais ao sul, a perspectiva muda: "A inspeção foi motivada por inúmeras denúncias recebidas sobre questões administrativas. Trata-se do fundos de 8 mil, ou seja, dinheiro público, portanto, a prestação de contas deve ser clara. O uso dos fundos deve ser prudente. Compras de luxo até são permitidas se o bispo tiver uma riqueza pessoal, mas são inapropriadas por razões de exemplaridade", explicam no Vaticano enquanto o Cardeal Giuseppe Bertello investiga a atuação de Monsenhor Guido Gallese, cuja carreira eclesiástica se desenvolveu sob a orientação do ex-presidente da CEI, Angelo Bagnasco. O destino do prelado piemontês, contudo, não está selado. "Ele não será destituído a menos que sejam descobertas violações da lei civil." A visita em curso em Alessandria não está destinada a permanecer isolada. Robert Francis Prevost chefiou o dicastério para os bispos e está muito familiarizado com os dossiês que deixou para seu sucessor, o canonista Filippo Iannone.

O Bispo Gallese não é o único sob escrutínio. Cartas de denúcias chegaram de outras Igrejas locais e, por indicação de Leão XIV, um aperto terá como alvo a gestão autorreferencial de territórios onde a autoridade episcopal beira a autocracia. A nomeação do cardeal piemontês Bertello, ex-núncio apostólico na Itália e governador do Vaticano, é indicativa do tipo de investigação em curso: como diplomata e "prefeito" da cidadela papal, ele tem experiência com orçamentos e informações confidenciais. "Pela escolha do visitante, pode-se entender o que o Papa pretende apurar", especificam do Vaticano. Leão XIV foi missionário, bispo, superior mundial dos agostinianos e prefeito dos bispos: "Ele quer condutas pastorais marcadas pela transparência e pela exemplaridade". As diretrizes papais são claras: "O bispo é chamado a servir a fé do povo. O que ele recebeu não é para si mesmo, mas para a causa do Evangelho". Enzo Governale, porta-voz de Monsenhor Gallese, assegura que a inspeção "não é um processo contra a pessoa do bispo nem um julgamento sumário da comunidade, mas uma revisão fraterna que envolve toda a diocese". E o envio de um visitante demonstra "o desejo de escutar a voz de todos para discernir juntos o melhor caminho para o futuro". Portanto, "a diocese acolhe este momento com total transparência, inclusive em questões administrativas e financeiras, muitas vezes objeto de curiosidade ou debate". A gestão da diocese nos últimos anos ("caracterizada por importantes projetos de restauração, como o Colégio Santa Chiara e a Casa São Francisco") é apresentada "com a serenidade de quem atuou de forma transparente, graças a sinergias com o Estado e a Fundação Cassa di Risparmio di Alessandria". Claro que "a ação acarreta o risco de críticas e erros". Esse passo "não é um sinal de alerta, mas um gesto autêntico de cuidado paternal da Igreja universal".

O padre Roberto Cattaneo, frade capuchinho, agora dirige o refeitório comunitário de Sanremo, mas durante seis anos administrou aquele de Alessandria. "O bispo havia mencionado o Tesla para mim. Perguntou-me se isso poderia me incomodar." Essa atenção também "diz muito sobre ele, mais do que o carro que dirige". O religiosos passou doze meses lado a lado com Monsenhor Gallese no que antes era a residência dos frades, um enorme convento histórico no centro da cidade, agora chamado de Casa São Francisco. Gallese reside ali atualmente. "Conheci muito bem o bispo, trabalhando com ele todos os dias", enfatiza o padre Roberto. "Vi sua espiritualidade, seu ser pastor. Ele é rico em humanidade e tem um grande coração para seus padres, que nem sempre o compreenderam. E assim, o carro é secundário. No início, eu também fique surpreso por esse veículo incomum, mas depois conversei com ele e percebi que não era esse elemento que o diferenciava." Não houve conflito com os fiéis, e "diversas vezes encontrei o bispo na igreja à noite, em oração. Muitas vezes o vi ajudando os mais vulneráveis. Sempre me impressionaram sua profunda espiritualidade e caridade". Os holofotes estarão voltados para outras dioceses por conta da "glasnost" do Papa agostiniano, que pede aos bispos que "vivam o Evangelho com simplicidade e partilha".

Leia mais