A humanidade de Deus. Artigo de Bernard Berthier

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08 Janeiro 2026

"Acaso acreditamos que tudo isso é longo demais ou desprezível demais para ser incluído no Credo e expressar o que significa nascer e ousar tornar-se homem?", escreve Bernard Berthier, em artigo publicado por baptises.fr, 05-01-2026. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis o artigo.

Et homo factus est... ele se encarnou da Virgem Maria e se fez homem. Também por nós foi crucificado sob Pôncio Pilatos, padeceu e foi sepultado.

Eu estava na missa da meia-noite de Charpentier.

Atento às palavras do Credo, notei de repente aquela elipse tão larga quanto um abismo entre "se fez homem" e "foi crucificado"... Nada entre o Natal, quando o Filho de Deus se faz homem, e a Páscoa, quando é crucificado; nada entre a encarnação e a crucificação. Tudo o que me faz crer em Jesus foi deixado de fora. Suas palavras, seus atos, o Evangelho, Deus entre nós: tudo foi inacreditavelmente apagado!

Comecei a contemplar em minha mente aquele recém-nascido, tão tenro, aqueles pés que teriam percorrido incessantemente a Palestina antes de serem transpassados pelos pregos. Aqueles joelhos dobrados em oração e quebrados pelo cansaço. Aquele sexo, para nós, causa de desejos vãos e satisfações a serem dominadas, que apesar disso, nos diz "Homo factus est" e não "vir", "homem", ser humano, e não "ser masculino".

Aquele umbigo, sinal de dependência carnal de um útero concreto, dependência compartilhada da qual terá que se libertar. Aquele lado que tremerá de emoção e será transpassado por uma lança. Aquela boca que proclamará a Palavra e cuja saliva curará o cego de nascença.

Aquela face que Judas beijará e que será esbofeteada diante de Caifás. Aqueles olhos imersos naqueles de José e de Maria, aqueles olhos que se pousarão sobre os discípulos na margem do lago de Tiberíades. Aqueles cabelos que serão ungidos por uma mulher anônima, mas profética, na casa de Simão, o leproso. Aquela cabeça que, por vezes, não terá sequer uma pedra sobre a qual se apoiar e repousar. Aqueles ombros, aqueles braços, aquelas mãos que saberão manejar ferramentas de carpinteiro antes de serem amarradas ao patíbulo tão pesado a ser levado ao Gólgota. Toda aquela pele nua e saudável de criança que transpirará sob o sol e se arrepiará no Jardim das Oliveiras.

Acaso acreditamos que tudo isso é longo demais ou desprezível demais para ser incluído no Credo e expressar o que significa nascer e ousar tornar-se homem?

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