05 Dezembro 2025
A Conferência Episcopal Nacional do Brasil nomeou oficialmente um de seus membros para trabalhar com a rede nacional de grupos católicos LGBTQ+. O bispo Arnaldo Carvalheiro Neto, da Diocese de Jundiaí, cumprirá um mandato de três anos como responsável pela pastoral dos católicos LGBTQ+ no Brasil, informou o Crux.
A reportagem é de Jeromiah Taylor, publicada por News Ways Ministry, 04-12-2025.
Os grupos — presentes em todas as regiões do Brasil — formam a Rede Nacional de Grupos Católicos LGBTQ+, que integra o conselho leigo oficial da Igreja Católica no Brasil desde 2018. Em âmbito local, cada grupo tem tido uma relação conturbada com os bispos diocesanos. O reconhecimento da Conferência Nacional dos Bispos Católicos do Brasil (CNBB) representa um marco importante no cuidado pastoral e na promoção da igualdade.
O papel de Arnaldo Carvalheiro Neto será “uma mão amiga para nos apoiar e nos aproximar da CNBB e de cada bispo”, afirmou Luis Fernando Rabello, secretário executivo da rede nacional LGBTQ+. “Concretamente, deixamos de estar à margem e agora somos sujeitos eclesiais.”
Suzana Moreira, teóloga e doutoranda da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, concordou que a nomeação de um delegado episcopal fortaleceria o trabalho dos grupos LGBTQ+ em todo o país:
“Acho importante que a Rede não se sinta mais sozinha na Igreja. Os padres, religiosas e irmãos que a acompanham muitas vezes não falam publicamente sobre isso. Agora, talvez se sintam mais à vontade para falar a respeito.”
Quanto à importância global da iniciativa, um especialista da Igreja se mostra otimista quanto ao seu potencial impacto, embora reconheça seu caráter distintamente brasileiro. Francisco Borba Ribeiro Neto, sociólogo da religião, disse ao Crux que a aproximação de alto nível com a comunidade LGBTQ+ talvez enriqueça a Igreja brasileira, e até mesmo a Igreja universal, mas que é improvável que adote uma postura de confronto, seja com as pessoas LGBTQ+ ou com Roma. Ele afirmou:
“No Brasil, uma postura mais rigoroso tende a desagradar a maioria dos católicos. Somos uma sociedade que prefere evitar conflitos. Portanto, há uma disposição por parte da Igreja em encontrar maneiras de oferecer assistência pastoral que não impliquem uma condenação imediata da homossexualidade, mas que levem a uma crescente compreensão mútua.”
Referindo-se especificamente às tensões internacionais decorrentes do Caminho Sinodal Alemão, Ribeiro Neto acrescentou:
“O episcopado brasileiro jamais faria algo assim, visto que historicamente tem sido leal ao Magistério – e especialmente agora, quando qualquer um está disposto a causar constrangimentos ao novo papa.”
“É uma comunidade que deseja ser acolhida e recebida, e está aberta ao diálogo para construir um relacionamento melhor. Ambos os lados, os bispos e os grupos LGBT+, sabem que haverá concessões mútuas ao longo do processo.”
“Espero que possa ser um laboratório para a Igreja universal, para que possa aprimorar importantes práticas pastorais. Talvez seja uma contribuição da Igreja brasileira para a Igreja universal.”
Quanto à trajetória deste primeiro bispo especificamente responsável pela pastoral LGBTQ+ no Brasil, Carvalheiro Neto foi nomeado pelo Papa Francisco em 2016. O bispo de 58 anos estudou nos Estados Unidos e em Dublin, e possui mestrado em Aconselhamento Pastoral pela Universidade Loyola.
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