O Dia dos Mortos do México celebra a vida em “outra dimensão”

Foto: Mario Spencer | Pexels

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01 Novembro 2025

Em algumas partes do México, o movimento no fim de outubro se parece muito com a correria do Natal. Mas, em vez de buscar árvores e presentes, os mexicanos — aos milhares — tomam as ruas à procura de toalhas de altar e flores-de-morto (as calêndulas alaranjadas), papéis de seda nas cores mais vibrantes e o melhor pão perfumado com aroma cítrico, moldado em forma de caveira e ossos — um luxo para aqueles que já não podem comê-lo.

A reportagem é de Rhina Guidos, publicada por Global Sister Reporter, 30-10-2025. 

A correria que antecede as celebrações de fim de outubro e início de novembro — conhecidas como Día de los Muertos, o Dia dos Mortos — é frenética neste país de quase 132 milhões de habitantes. Mais do que um dia, é uma temporada em que os mexicanos celebram aquilo que a cultura ocidental rejeita com veemência: a morte.

 

Isso ocorre porque o feriado celebra algo profundamente enraizado na cultura mexicana: a família.

Segundo Mota, mesmo quem mora longe volta para casa nessa época do ano para rezar com os familiares em torno de um altar colorido feito em homenagem aos mortos — com fotos, comidas e bebidas favoritas, sal, água e as flores-de-morto, cujas pétalas, acredita-se, mostram o caminho para as almas visitarem a família uma vez por ano.

Mas nem todo o México celebra a data, ela observou. Em lugares como Oaxaca, no sul do país, o Dia dos Mortos é levado a outro nível. Além da comida farta, é também tempo de intensa oração: as famílias convidam vizinhos e amigos — muitos deles — para rezar pelos entes falecidos e depois compartilhar uma refeição.

Embora o nome sugira um único dia — 2 de novembro, Dia de Finados para os católicos —, a celebração começa dias antes, com o aspecto religioso ficando em segundo plano.

Nas escolas e igrejas católicas, os altares são montados conforme o calendário litúrgico. Fora da igreja, entretanto, muitas crenças evoluíram com o tempo.

Alguns acreditam que as almas chegam em grupos: primeiro as das crianças não batizadas, depois as dos adultos, depois as das pessoas que morreram subitamente ou em acidentes, e até há quem reserve um dia para as almas dos animais de estimação.

Mesmo aqueles sem crença religiosa confiam na ideia de que, de fato, os mortos “voltam à vida”, disse Mota. Ela, que cresceu no norte do México, onde a tradição era menos forte, vê o Dia dos Mortos à luz do documento Lumen Gentium, do Concílio Vaticano II, que afirma que a morte não rompe a relação entre vivos e mortos.

Essa visão é compartilhada por Katia Luna, uma jovem católica de Toluca que trabalha com a Igreja. Segundo ela, a alegria dessa época nasce da profunda certeza espiritual de que a morte não separa os vivos de seus entes queridos — especialmente dos familiares falecidos.

Mas, até lá, os mortos só desaparecem quando são esquecidos — e é por isso que este tempo de lembrança é tão importante, completou.

Camisetas e adesivos com a palavra “recuérdame” (lembre-se de mim), inspirados na música do filme Coco, abundam no centro histórico da Cidade do México — um apelo dos mortos aos vivos. Em 27 de outubro, uma emissora de TV local exibiu um programa matinal relembrando astros e estrelas mexicanas já falecidas. Restaurantes e comércios exibem publicamente seus altares com fotos de familiares falecidos, e as escolas — públicas e católicas — também dedicam tempo à confecção de altares.

A fundadora de sua congregação, o venerável José Antonio Plancarte, ensinava que o verdadeiro amor nunca morre, porque está enraizado em Deus, fonte de toda vida.

E essa plenitude não se refere ao fim físico que leva à morte — embora muitos assim a percebam, comentou Mota.

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