‘É uma violência injustificável’, diz pesquisadora sobre operação mais letal do Rio

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil | FotosPúblicas

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29 Outubro 2025

A Operação Contenção, realizada nesta terça-feira (28) pela Polícia Militar do Rio de Janeiro nos complexos da Penha e do Alemão, deixou 64 mortos e 81 pessoas foram presas, segundo um balanço da Secretaria de Segurança Pública (SSP) do estado. Para a socióloga Carolina Grillo, coordenadora do Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos da Universidade Federal Fluminense (UFF), a ação representa “uma violência injustificável” e repete um padrão de confronto com um alto custo humano e pouco resultado prático.

A reportagem é de Adele Robichez, José Eduardo Bernardes e Larissa Bohrer, publicada por Brasil de Fato, 28-10-2025.

“Essas prisões e apreensões não compensam o enorme custo que houve para a população”, afirmou em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato. Segundo Grillo, além das mortes, operações desse tipo paralisam serviços básicos e destroem a rotina dos moradores. “Escolas e unidades básicas de saúde deixam de funcionar, milhares de pessoas não conseguem trabalhar e o cotidiano dos moradores é rompido. Tudo isso para prender pessoas substituíveis dentro das estruturas do crime organizado”, lamentou.

A pesquisadora critica o governo do estado do Rio de Janeiro por manter uma política baseada em grandes operações armadas, sem integração com as forças federais. “Não interessa ao governo do estado se articular com a Polícia Federal, porque ele quer mostrar serviço de forma escandalosa, espetacularizada, por meio dessas operações que nada têm de trabalho de inteligência”, disse.

Grillo também lembrou que durante a vigência da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) das Favelas, determinada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), a letalidade policial caiu quase 70% entre 2019 e 2023 sem aumento da criminalidade. “A ADPF foi a prova viva de que é possível combater a criminalidade com controle do uso da força”, destacou.

Para ela, enfrentar o crime organizado exige investigações financeiras, políticas sociais e fiscalização de mercados controlados por facções, e não apenas o endurecimento de penas ou o aumento das operações. “Aumentar a pena não muda a lógica do crime. É preciso oferecer outras oportunidades e atacar os elos entre poder público e facções, além de fiscalizar os mercados que alimentam essas redes”, defendeu.

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