O plano europeu de espionar milhões de chats terá que esperar após a recusa da Alemanha

Foto: Pexels

Mais Lidos

  • A ascensão e queda de Fernando Cerimedo, o principal conselheiro da extrema-direita latino-americana

    LER MAIS
  • “Na atualidade, 147 Terras Indígenas, 37% do total na Amazônia, estão em bacias hidrográficas impactadas pelo garimpo, e 19 possuem atividade garimpeira em seu interior”, alerta a pesquisadora

    Mudanças climáticas e garimpo ampliam riscos à saúde indígena. Entrevista especial com Sandra Hacon

    LER MAIS
  • China e Canadá enfrentam Trump: "Se eles atacarem vocês, é como se estivessem em guerra"

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Aceleracionismo Amazônico

Edição: 559

Leia mais

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

17 Outubro 2025

Sem os votos alemães, a Espanha e outros países que apoiam a varredura em massa de conversas online por meio do regulamento conhecido como Chat Control não têm apoio suficiente para aprová-lo.

A reportagem é de Martín Cúneo, publicada por El Salto Diario, 13-10-2025.

A incerteza em torno da posição da Alemanha foi resolvida: o país não apoiará a proposta atual de uma iniciativa europeia conhecida como Chat Control [controle dos bate-papos], que permitiria que todas as mensagens em conversas online fossem escaneadas em busca de padrões consistentes com pornografia e material de abuso infantil. A regulamentação, de acordo com organizações de direitos digitais, acabaria com um dos poucos bolsões restantes de privacidade e liberdade online, ao desabilitar efetivamente os recursos de criptografia de ponta a ponta usados ​​por empresas de mensagens como WhatsApp, Telegram e Signal.

Para o ex-eurodeputado do Partido Pirata, Patrick Breyer, o anúncio do governo alemão efetivamente nega a proposta por enquanto, pois bloqueia a maioria necessária na reunião do Conselho da UE em 14 de outubro. Para Breyer, a definição da posição alemã representa um "grande passo à frente para o movimento pelos direitos digitais", que nas semanas anteriores havia travado uma intensa campanha para impedir uma iniciativa que abriu as portas para o controle em massa das comunicações em um mundo cada vez mais controlado pela extrema-direita e por governos autoritários.

Jens Spahn, presidente do grupo parlamentar conservador CDU/CSU no Bundestag, declarou publicamente que seu partido se opõe à "vigilância injustificada de chats", pois tal varredura seria equivalente a "abrir cada carta como precaução para verificar se contém algo ilegal". Essa medida é "inaceitável" e não será permitida, declarou. Spahn, no entanto, admitiu que permitiria a adoção de regulamentações que não afetem a privacidade e as conversas pessoais. A ministra da Justiça alemã, Stefanie Hubig, declarou no X que a Alemanha "não aceitará" legislação sobre varredura em massa.

Breyer chamou o anúncio de uma “tremenda vitória para a liberdade”, provando que “o protesto funciona”, mas alertou que os defensores do Chat Control tentarão novamente: “Eles usarão todos os recursos disponíveis e não desistirão facilmente”.

O governo espanhol está entre os principais proponentes da iniciativa Chat Control. Diversas organizações e plataformas na Espanha solicitaram que o poder executivo reconsidere sua posição.

Leia mais