Cruz com rodinhas e paixão sobre rodas. Artigo de Concita De Gregorio

Foto: Caroline Brehman/EPA

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26 Setembro 2025

"Limito-me a salientar que a Via Sacra acompanha o sofrimento extremo e desumano de quem foi condenado a carregá-la. O esforço, a dor. Um calvário, não um desfile para as câmeras"

O artigo é de Concita De Gregorio, jornalista italiana, publicado por la Repubblica, 23-09-2025. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis o artigo.

A cruz com rodinhas no funeral de Charlie Kirk mereceria alguns minutos de silêncio e uma reflexão pessoal de cada um de nós. Seria interessante ouvir, por exemplo, o que os católicos pensam da cruz com rodinhas: o símbolo da Paixão de Cristo transformado em um artefato portátil móvel que pode ser transportado por qualquer um, até mesmo por uma criança (claro, depende do tamanho, mas não tenho dúvidas de que pequenas cruzes com rodinhas estarão em breve disponíveis para as famílias de manifestantes).

Limito-me a salientar que a Via Sacra acompanha o sofrimento extremo e desumano de quem foi condenado a carregá-la. O esforço, a dor. Um calvário, não um desfile para as câmeras.

Foto: Reprodução/X

Ainda mais interessante para entender os tempos loucos e ferozes em que vivemos é colocar lado a lado a imagem do ativista Dan Beazley, o homem que viaja pelos Estados Unidos com a cruz com rodinhas, fácil de manusear (leio que ele começou depois das enchentes no Texas. O que as enchentes têm a ver com Charlie Kirk me escapa, deixo para vocês) com qualquer uma das fotos das crianças de Gaza que nos lembram de nossa culpa todos os dias. Vejamos aquela da criança aterrorizada que foge carregando uma criança ainda menor que ela nos ombros, ambas vestidas de trapos, entre os escombros.

Assim, temos: de um lado, a paixão encarnada por duas crianças; de outro, a paixão simulada por um sujeito de Michigan. Qual delas terá mais impacto na maioria da opinião pública? O fundador do grupo neofascista Proud Boys, um ex-punk agora defensor da extrema direita, declarou unilateralmente guerra à esquerda: convida os nacionalistas cristãos a "embarcar na Arca". Putin, quase nas mesmas horas do funeral espetáculo, alerta que "a estabilidade estratégica continua a se deteriorar", mas fiquem tranquilos, ele está "pronto para responder a qualquer ameaça". Sim, eu sei, já sabíamos desde a invasão da Ucrânia que a ameaça vinha dele, mas vejam bem. Perdeu todo o sentido e tudo tomou um rumo muito ruim.

De fato. Temos a cruz com rodinha, agora.

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