Terras de afrodescendentes e quilombolas têm 55% menos desmatamento

Foto: Greenpeace

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

24 Julho 2025

Estudo mostra territórios destes Povos com menor perda florestal, mais biodiversidade e retenção de carbono.

A informação é publicada por ClimaInfo, 23-07-2025.

Um estudo inédito conduzido pela ONG Conservation Internacional e publicado na 3ªfeira (22/7) na revista Communications Earth and Environment, do grupo Nature, mostra que o desmatamento em terras dos afrodescendentes de Brasil, Colômbia, Equador e Suriname têm taxas de 29% a 55% menores do que áreas similares sem titulação.

O estudo combina 21 anos de dados estatísticos e especiais com dados históricos para quantificar o papel dos Povos Afrodescendentes, como os Quilombolas, na proteção da Natureza e no combate à crise climática. Mesmo territórios sem titulação se destacam com menor perda florestal, maior nível de biodiversidade e retenção de carbono.

Como assinalaram Folha e Valor Econômico, as Terras Quilombolas apresentam menor desmatamento mesmo quando comparadas a Unidades de Conservação.

Segundo o Mongabay, “mais da metade dessas terras estão no top 5% das regiões com maior biodiversidade do mundo, sobrepondo-se ao habitat de mais de 4.000 espécies de vertebrados terrestres, 9% das quais estão listadas como ameaçadas na Lista Vermelha da IUCN.”

O estudo ainda mostra que as Terras Quilombolas estudadas armazenam mais de 486 milhões de toneladas de carbono – que se for perdido por desmatamento ou degradação, não pode ser recuperado em tempo hábil para evitar os piores impactos da crise climática.

As Terras Quilombolas brasileiras representam 39% do total pesquisado. O InfoAmazonia observou que apenas 4,3% da população quilombola reside em territórios titulados, segundo Censo de 2022 do IBGE. Quilombolas representam 0,65% do total de brasileiros (cerca de 1,32 milhão de pessoas).

“O Brasil tem a maior população de afrodescendentes fora do continente africano e eles são extremamente invisibilizados, têm pedido financiamento recorrentemente nas últimas conferências de clima, falado da importância de serem ouvidos nos processos e têm sido muitas vezes negligenciados”, afirmou Marina Marçal, advogada brasileira, especialista em políticas climáticas e líder no Brasil da Waverley Street Foundation.

Leia mais