13 Mai 2025
Para cientista, Justiça Climática só será alcançada com fissuras nas estruturas de poder da sociedade pós-colonial.
A informação é publicada por ClimaInfo, 12-05-2025.
A relação entre mudanças climáticas e desigualdade social aparece de forma clara nos estudos da climatologista alemã Friederike Otto. À frente do grupo World Weather Attribution (WWA), a pesquisadora vem acompanhando como as populações marginalizadas e comunidades pobres sofrem os impactos mais severos da crise climática, a despeito de serem os menos responsáveis por ela.
Os efeitos são particularmente graves para as mulheres, observou Otto em entrevista à Folha. Elas assumem a maior parte do trabalho de cuidado durante eventos extremos – são responsáveis por buscar água em períodos de seca, cuidam de crianças e idosos durante desastres, e muitas vezes trabalham em condições mais precárias.
Quando ocorrem enchentes ou outros eventos extremos, as mulheres têm menos acesso a sistemas de alerta e informações, o que aumenta sua vulnerabilidade. Além disso, pesquisas mostram que quando mulheres controlam os recursos para reconstrução, há maior probabilidade destes serem investidos em resiliência familiar e comunitária.
Para Otto, a adaptação climática ainda é insuficiente e mal-direcionada e os sistemas existentes frequentemente falham em proteger os grupos como idosos e populações rurais. Ela também critica a abordagem atual que prioriza soluções técnicas em vez de sistemas simples e acessíveis.
Para superar essa situação, a cientista propõe uma mudança radical na forma de enfrentar a crise climática, integrando conhecimentos científicos de diferentes áreas. “Estamos começando a ver pesquisadores não ficarem mais tão enclausurados em seus silos. (…) O ideal é que cada pesquisa busque integrar essas diferentes perspectivas”, destacou Otto.
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