Brasileiro tem maior rendimento médio da história, mas 1% mais rico ganha 10 vezes mais

Foto: Unsplash

Mais Lidos

  • Conhecer Jesus. Artigo de Eduardo Hoornaert

    LER MAIS
  • Freira de 82 anos é morta em convento brasileiro

    LER MAIS
  • Para o pesquisador e membro do coletivo Aceleracionismo Amazônico, é necessário repensar radicalmente as possibilidades políticas tributárias de um paradigma prenhe de vícios modernos

    Pensar de modo abolicionista produz uma ética da generosidade. Entrevista especial com Bräulio Marques Rodrigues

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

10 Mai 2025

Os 10% mais ricos do Brasil ganham, por mês, 13,4 vezes mais do que os 40% mais pobres. Isso é o que indica uma nova edição da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira (8).

A reportagem é de Vinicius Konchinski, publicada por Brasil de Fato, 08-05-2025.

A pesquisa considera dados apurados em 2024. Segundo ela, no ano passado, os 10% da população que ganham mais recebiam, em média, R$ 8.034. Já os 40% da população que recebem menos, ganhavam, em média, R$ 601 – 92,5% a menos.

Apesar da enorme diferença, ela é a menor já registrada pelo IBGE desde que o dado passou a ser apurado, em 2012. Em 2018, por exemplo, foi registrada a maior diferença, os 10% mais ricos recebiam 17,8 vezes o que ganhavam os 40% mais pobres.

Na comparação entre os ganhos dos 1% mais ricos com os 40% mais pobres, a diferença de rendimentos em 2024 foi de 36,2 vezes. No ano passado, os que faziam parte do 1% com maiores rendimentos do país ganhavam, em média, R$ 21.767 por mês.

Os dados da Pnad levam em conta ganhos com trabalho, de programas sociais, aposentadoria, como aluguéis, aplicações financeiras e bolsas de estudo.

O rendimento médio dos brasileiros que têm algum ganho chegou a R$ 3.057 em 2024, o maior já registrado. Ele é 2,9% mais alto do que os R$ 2.974 verificados em 2023.

Em média, cada pessoa de um domicílio do Brasil, mesmo quem não trabalha, ganha, em média, R$ 2.020. Esse é o maior da série histórica. Representa um aumento de 4,7% em relação a 2023, quando era R$ 1.929.

Segundo a pesquisa, houve um maior aumento real (descontando a inflação do período) dos rendimentos daqueles que recebem menos. O ganho dos 40% mais pobres aumentou de 9,3% em 2024 na comparação com 2023 – de R$ 550 para R$ 601. Já entre os 10% mais ricos, a alta foi de 1,5% – R$ 7.914 para R$ 8.034.

“Nas classes de menor renda, a gente observou que o crescimento ficou bastante acima da média do país, enquanto nas classes de maior renda, o crescimento, principalmente nos 10% de maior renda, ficaram abaixo da média”, disse o analista do IBGE, Gustavo Fontes.

Programas sociais

Segundo a pesquisa, entre os fatores que podem explicar o crescimento dos menores rendimentos estão: a queda do desemprego, os reajustes do salário mínimo, e o recebimento de benefícios de diferentes programas sociais do governo.

Hoje, o valor médio dos benefícios sociais pagos pelo governo é de R$ 836, o maior desde 2012. O ganho com Bolsa Família e o Benefício de Prestação Continuada (BPC), por exemplo, cresceu 72,7% entre 2019 e 2024, segundo o IBGE.

Os programas sociais garantem rendimentos a 9,2% da população, o que equivale a 20,1 milhões de pessoas. O percentual é superior aos 6,3% registrados em 2019, antes da pandemia, e aos 8,6% de 2023.

Apesar do crescimento, 74,9% do rendimento dos trabalhadores vêm do trabalho. Os programas sociais representam 3,8% do rendimento domiciliar, em média.

Desigualdades regionais

Em valores, a região Nordeste possui o menor valor per capita entre os 40% com os menores rendimentos, R$ 408. A região Norte aparece em segundo lugar, com R$ 444. Já a região Sul está no topo, com R$ 891, seguida pela região Sudeste, com R$ 765, e Centro-Oeste, com R$ 757.

A região Norte foi a que teve maior crescimento de rendimento dos mais pobres de 2019 a 2024: 54,7%. Nordeste, com 51,1%, vem em seguida. A região Sul apresentou a menor expansão nesse período: 16,5%.

Índice de Gini

Em 2024, o Índice de Gini do rendimento domiciliar per capita também diminuiu, alcançando 0,506, o menor valor da série, indicando menor desigualdade.

O Índice de Gini mede a concentração de renda da população. O indicador varia de 0 a 1, sendo que quanto mais próximo de zero, menor a desigualdade.

A série histórica mostra que de 2012 a 2015, houve uma tendência de redução da desigualdade, com o índice variando de 0,540 para 0,524.

Em 2016, o índice começa a aumentar, mostrando também o aumento da desigualdade. Em 2018, atingiu o maior valor da série, 0,545.

Em 2022, o índice de Gini do rendimento domiciliar per capita caiu para 0,518, estabilizando-se nesse valor em 2023.

“O Brasil, inegavelmente, ainda é um país bastante desigual, se a gente comparar com diferentes indicadores de desigualdade de renda. Mas, em 2024, a gente observa uma melhoria nessa distribuição de renda”, resumiu Fontes.

Leia mais