Elizabeth Teixeira, mulher marcada para morrer, ainda está aqui. Artigo de Xico Sá

Foto: WikiPeaceWoman

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14 Janeiro 2025

"'Cabra marcado para morrer' ganhou vários prêmios internacionais e consta em todas as listas de críticos sobre as melhores produções brasileiras de todos os tempos. Elizabeth Teixeira, uma das maiores brasileiras da história, ainda está aqui", escreve Xico Sá, escritor e jornalista, em artigo publicado por Diário do Nordeste, e reproduzido na página de Facebook de André Vallias, 10-01-2025.

 Eis o artigo.

O sucesso de público e de crítica de “Ainda estou aqui”, dirigido por Walter Salles, levou muita gente a buscar ou rever outros filmes sobre o período da Ditadura no Brasil. Fui direto ao “Cabra marcado para morrer” (1984), documentário de Eduardo Coutinho, obra filmada na Paraíba, Rio Grande do Norte e Pernambuco, com uma história que revela como a repressão atingiu uma família do Nordeste envolvida com a luta no campo.

No filmaço baseado no livro homônimo de Marcelo Rubens Paiva, a advogada Eunice, mãe do escritor, é personagem principal na peleja por Justiça e na defesa da memória do ex-deputado paulista Rubens Paiva, seu marido, desaparecido e morto pelos militares em 1971.

No documentário de Coutinho, a professora paraibana Elizabeth Teixeira assume a luta de João Pedro, marido assassinado por policiais e capangas do latifúndio do Nordeste, em 1962, aos 44 anos de idade, à beira de uma estrada no município de Sapé (PB). João Pedro era um líder negro das Ligas Camponesas, movimento social em defesa dos sem-terra desde os anos 1950.

Com 11 filhos, enfrentando a pobreza rural, Elizabeth sofreu violência por parte do poder militar, porém, seguiu na defesa da reforma agrária. Com o golpe de 1964, ela foi forçada a abandonar a causa e parte da família. Para escapar viva, espalhou dez filhos nas casas de parentes e desapareceu da sua região.

Coutinho, que já havia iniciado as suas filmagens sobre as Ligas Camponesas, foi também forçado a paralisar tudo — alguns profissionais da sua equipe sofreram prisões. Elizabeth fazia o papel de Elizabeth, na companhia de trabalhadores rurais do engenho Galileia, a 50 km do Recife, local emblemático do drama pela terra no Brasil.

O diretor fez a retomada da sua obra-prima em 1981, depois da Lei da Anistia. O filme foi lançado em 1984, com as cenas iniciais e a história do reencontro de Coutinho com Elizabeth — estava no interior potiguar e usava o nome Marta Maria Costa — e outros personagens da vida real do país.

Cabra marcado para morrer” ganhou vários prêmios internacionais e consta em todas as listas de críticos sobre as melhores produções brasileiras de todos os tempos. Elizabeth Teixeira, uma das maiores brasileiras da história, ainda está aqui. Ela mora em João Pessoa e vai completar 100 anos em fevereiro. Todos os vivas do mundo para esta mulher extraordinária.

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