‘Brain rot’: o grito de alerta de uma sociedade sobrecarregada. Artigo de Nicole Gois

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14 Dezembro 2024

"Estamos no limiar de uma transformação cultural. Quem se propuser a sair dessa ‘armadilha digital’ antes que ela nos afete por completo pode encontrar mais espaço para crescer no trabalho, nos relacionamentos e na vida", escreve Nicole Gois, produtora de conteúdo da Alter Conteúdo, em artigo publicado por Alter Conteúdo, 13-12-2024.

Eis o artigo.

Você já sentiu que sua mente estava sobrecarregada depois de passar horas rolando pelas redes sociais ou assistindo a vídeos curtos? Esse sentimento não é só seu. A expressão ‘brain rot’ – traduzida como ‘podridão cerebral’ – foi eleita a palavra do ano de 2024 pelo Dicionário Oxford, e nos faz pensar sobre como o consumo exagerado de conteúdo digital e superficial está nos afetando, individual e coletivamente.

Nunca estivemos tão conectados e, paradoxalmente, tão distantes da profundidade e do significado. O crescimento de 230% no uso da expressão entre 2023 e 2024 é apenas um sintoma de um problema maior: uma fadiga mental coletiva, causada por notificações incessantes, notícias negativas e um scroll infinito de conteúdos descartáveis.

No Brasil, as redes sociais ilustram bem um lado sombrio desse fenômeno. Um exemplo recente é o caso de Jennifer Castro, que em apenas três dias ganhou 2 milhões de seguidores no Instagram após ser criticada por não ceder seu lugar na janela do avião para uma criança. O episódio gerou um debate sobre valores, exposição pública e o impacto das redes sociais na construção e destruição de reputações.

No ambiente corporativo, o ‘brain rot’ desafia a produtividade, a criatividade e a capacidade analítica, elementos essenciais para o protagonismo e a inovação. Sintomas como desatenção, preguiça e superficialidade comprometem não só a carreira dos profissionais, mas também os resultados das empresas que dependem de suas entregas. O aumento dos afastamentos por transtornos mentais e o turnover elevado reforçam a necessidade de políticas voltadas ao bem-estar e à qualidade de vida no trabalho.

Por outro viés, as marcas agora lidam com um novo consumidor exausto, ansioso e cada vez mais imune aos estímulos tradicionais. A solução está na autenticidade, em oferecer valor e criar conexões reais. Exemplos como o Boticário, que cocriou um produto ouvindo seus consumidores, mostram que ouvir e envolver o público é o caminho para se destacar em um mercado saturado.

A popularização do termo ‘brain rot’ é um alerta para repensarmos nossas interações digitais. Além de estratégias para limitar o tempo de tela e evitar notificações excessivas, é importante resgatar o prazer em atividades que estimulam nossa criatividade e reflexão, como a leitura, as artes e os encontros presenciais.

Estamos no limiar de uma transformação cultural. Quem se propuser a sair dessa ‘armadilha digital’ antes que ela nos afete por completo pode encontrar mais espaço para crescer no trabalho, nos relacionamentos e na vida.

Agora, mais do que nunca, é hora de fazer escolhas mais conscientes e significativas para nos reconectarmos ao que realmente importa.

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