Carlos Castillo: “A Igreja não é de direita, de esquerda ou de centro, a Igreja é de baixo”

Carlos Castillo | Foto: Romano Pontífice / Wikimedia Commons

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08 Outubro 2024

  • Luis Cabrera: “Aceito esta nova tarefa com muita paz e humildade porque sei que não é uma honra nem um reconhecimento de qualquer mérito, mas sim uma expressão de proximidade e confiança do Papa Francisco”.

  • Spengler: “Espero que juntos possamos cooperar da melhor forma para promover o Evangelho em todas as realidades da nossa sociedade”.

A reportagem é de Religión Digital, 07-10-2024. 

Numa coletiva de imprensa no Mosteiro das Nazarenas, Dom Carlos Castillo agradeceu ao Papa Francisco por esta nova missão que lhe foi confiada e lembrou que todos somos chamados a participar sinodalmente no governo da Igreja para que juntos possamos fazer um trabalho interessante tanto na Igreja de Roma como nas igrejas locais.

Com esta nomeação do Santo Padre, o arcebispo de Lima torna-se o sexto cardeal da história do Peru.

Gratidão, fidelidade e serviço são as palavras que resumem a primeira mensagem de D. Carlos Castillo como cardeal da Santa Igreja. Nosso arcebispo de Lima voltou aos anos de governo de Santo Toribio de Mogrovejo, um dos pastores que fundou a igreja peruana, para lembrar que nossa principal missão é a de servir, especialmente nas margens do mundo.

“É uma grande alegria para mim continuar a sucessão de cardeais no Peru porque estamos associados a este encontro de comunhão de uma Igreja que é chamada a continuar sendo missionária”, disse o prelado.

O sentido missionário é a vocação da Igreja de Lima. A Igreja caminha, dialoga, conversa, responde ao grito do seu povo e tem sempre em conta o rosto do Outro.

Castillo afirmou que a forte crise humana que o mundo vive nos desafia profundamente a desenvolver a nossa capacidade de sermos irmãos e de nos reeducarmos. Portanto, são necessários verdadeiros sinais de fraternidade que nos permitam superar a onda de violência e extorsão que se vive no nosso país, bem como os interesses mesquinhos e egoístas que nos impedem de ver o bem comum. Isto requer o apoio conjunto de todos, sem exceção.

Deve haver, na sociedade e na Igreja, um processo reeducativo fundamental onde lancemos as bases sérias para a constituição da nossa Nação.

O Primaz do Peru explicou que a Igreja tem uma missão importante neste caminho regenerativo da sociedade, abrindo caminho para um caminho sério de reforma que consiste em ouvir, acompanhar, consolar e promover boas iniciativas. Sublinhou também que “a Igreja não é da direita, da esquerda ou do centro, a Igreja é de baixo”, a sua voz é profética para denunciar a raiz dos problemas e também encoraja quando o fundo das soluções representa esperança para humanidade.

Precisamos saber viver a fé dentro dos problemas e não apenas para salvar a nossa alma, porque isso pode levar ao individualismo. Somos chamados a salvar a alma, o corpo e a vida das pessoas e da sociedade.

Por sua vez, o arcebispo da cidade equatoriana de Guayaquil, Luis Cabrera Herrera, agradeceu neste domingo ao Papa Francisco por tê-lo ordenado cardeal, tarefa que, segundo ele, é uma expressão de confiança do Pontífice. “Aceito esta nova tarefa com muita paz e humildade porque sei que não é uma honra nem um reconhecimento de qualquer mérito, mas sim uma expressão de proximidade e confiança do Papa Francisco”, disse Cabrera Herrera em mensagem divulgada pela Agência Equatoriana Conferência Episcopal.

“Que Maria, mãe de Jesus e da Igreja, nos acompanhe neste caminho de escuta, de discernimento e de grandes decisões para continuar cumprindo a missão que seu amado filho nos confiou”, acrescentou.

A função do cardeal, acrescentou, é “ um serviço que terei que aprender pouco a pouco junto com cada um de vocês, à luz da palavra de Deus que nos torna mais irmãos e amigos”.

Por fim, o atual presidente do CELAM, Dom Jaime Spengler, afirmou que estava “surpreso com a nomeação do Santo Padre para uma nova missão ou, [melhor], com a continuidade da missão na Igreja”.

De Roma, para onde enviou uma breve mensagem em vídeo expressando sua gratidão ao Papa Francisco e dirigindo-se ao clero e ao Povo de Deus da Arquidiocese de Porto Alegre, bem como aos bispos do Brasil e da América Latina e do Caribe, lembrando de maneira especial “aos que foram afetados pelo flagelo da tragédia climática que atingiu o Rio Grande do Sul e o Centro-Oeste” do Brasil, bem como aos que sofreram os incêndios, a seca na Amazônia.

“Vamos caminhar juntos”

“Rezo para que juntos possamos cooperar da melhor forma para promover o Evangelho em todas as realidades da nossa sociedade”, disse ele, exortando todos a “caminhar juntos em comunhão para que possamos promover, entre nós, o reino de Deus e sua justiça”.

“Muito obrigado, em primeiro lugar, ao Santo Padre, mas também obrigado à proximidade e à fraternidade de cada irmão e irmã”, conclui o breve discurso, no qual envia a todos a bênção de Deus.

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