Padre brasileiro acusado de cisma enfrenta procedimentos canônicos

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05 Dezembro 2023

Um padre brasileiro está enfrentando procedimentos canônicos depois que sua arquidiocese afirmou que ele fez declarações cismáticas e ignorou restrições ao uso de rubricas litúrgicas pré-conciliares.

A reportagem é de Luke Coppen, publicada por The Pillar, 04-12-2023.

A Arquidiocese de São Paulo anunciou em 29 de novembro que abriria uma investigação preliminar sobre a alegada atividade cismática do padre, ao mesmo tempo em que removeria o Padre Fábio Fernandes da Igreja Nossa Senhora das Dores, no distrito de Barra Funda, na cidade de São Paulo, onde ele atua como pároco.

Um decreto de 23 de novembro, assinado pelo Cardeal Odilo Scherer, Arcebispo de São Paulo, afirmava que Fernandes estava proibido de exercer o ministério público.

As medidas tomadas contra Fernandes seguiram uma série de trocas tensas entre as autoridades arquidiocesanas e o padre, que começou em 1º de novembro com um aviso canônico.

A carta de aviso, assinada por Scherer e pelo chanceler da arquidiocese, pedia a Fernandes que declarasse por escrito e publicamente sua "disposição em aceitar a comunhão com a Igreja Católica Romana, o Segundo Concílio Vaticano em sua totalidade, o Magistério do Papa Francisco e a devida obediência e respeito ao seu bispo diocesano", conforme prometido em sua ordenação sacerdotal em 2009.

Pe. Fábio Fernandes, sacerdote da Arquidiocese de São Paulo, Brasil. (Foto: Captura de tela | canal @SantaGenerosa no YouTube)

A carta acusava o padre de "desobediência persistente", fazendo declarações cismáticas, como chamar o Papa Francisco e Scherer de "hereges", e mostrando "desprezo claro" pelos preceitos da carta apostólica Traditionis custodes de 2021, que restringiu as celebrações da liturgia anterior à reforma de 1970, também conhecida como Missa Tridentina e Forma Extraordinária do Rito Romano.

O Brasil, o país com a maior população católica do mundo, tem um movimento tradicionalista significativo.

O Instituto do Bom Pastor, uma sociedade de vida apostólica de direito pontifício estabelecida em 2006 que utiliza o Missal Romano de 1962, opera em cinco locais no Brasil, incluindo São Paulo.

A Diocese de Campos, no estado do Rio de Janeiro, abriga uma estrutura única, conhecida como Administração Apostólica Pessoal de São João Maria Vianney, criada pelo Papa João Paulo II em 2002 para o clero e leigos tradicionalistas. A diocese foi liderada de 1949 a 1981 pelo Bispo Antônio de Castro Mayer, aliado do Arcebispo Marcel Lefebvre, fundador da Sociedade de São Pio X (SSPX).

A organização internacional Tradição, Família e Propriedade foi fundada no Brasil em 1960 pelo ativista tradicionalista Plinio Corrêa de Oliveira, nascido em São Paulo.

Em uma resposta de 6 de novembro ao Cardeal Scherer, o Padre Fernandes negou ter feito qualquer declaração em que descrevesse o papa e o cardeal como "hereges".

"O que eu disse é que aqueles que estão sob o espírito de aggiornamento do Segundo Concílio Vaticano estão em situação de heresia, o que é óbvio, e compromete a legitimidade e a autoridade", afirmou.

Em relação ao Traditionis custodes, ele argumentou que "a liturgia 'em vigor' não altera a natureza teológica da Missa Tridentina definida por São Pio V, que ordenou que não fosse alterada e que, por sua própria natureza dogmática, é a norma de oração da Igreja Católica no Ocidente".

Fernandes publicou outra declaração em 6 de novembro, dirigida aos católicos, na qual disse que queria "pedir perdão pelo erro que cometi por muitos anos, a maior parte dos meus quase 15 anos de sacerdócio, de ter celebrado a nova Missa de acordo com o Missal de Paulo VI".

Ele ofereceu um relato detalhado de sua vocação ao sacerdócio, sua formação e sua crescente conscientização da Missa Tradicional em Latim. Ele encerrou a mensagem com uma citação do Arcebispo Lefebvre.

No final de novembro, a arquidiocese enviou uma nova mensagem a Fernandes, notificando-o dos procedimentos canônicos e dando-lhe cinco dias úteis para "entregar" sua paróquia. Essa diretriz parece ser mais provavelmente uma restrição temporária em sua administração da paróquia, uma vez que os párocos devem ser removidos ordinariamente por um processo específico no direito canônico, e Fernandes ainda não foi declarado em cisma.

A arquidiocese disse que o Cardeal Scherer apelou a Fernandes em 28 de outubro, pedindo-lhe que não celebrasse a festa de Cristo Rei no dia seguinte, mas o padre ignorou o pedido e celebrou a festa em um dia "contrário ao calendário litúrgico em vigor".

A festa ocorreu em 29 de outubro no calendário da Forma Extraordinária, mas em 26 de novembro no calendário da Forma Ordinária usado pelas dioceses brasileiras.

A arquidiocese afirmou que o padre também não se retratou dos erros destacados na carta de 1º de novembro, mas os reafirmou, postando "declarações sérias com conteúdo cismático" nas redes sociais em 6 de novembro.

Em uma mensagem de 27 de novembro para colegas padres e católicos leigos, Fernandes disse que celebrou a festa de Cristo Rei em 29 de outubro "de acordo com os desejos e necessidades dos fiéis", bem como de acordo com o calendário católico tradicional, apesar de uma proibição comunicada a ele por telefone e mensagem no WhatsApp.

O padre disse que, em sua homilia, professou "a fé católica e apostólica, defendendo a Missa das eras e refutando os erros da 'igreja conciliar' contra a verdadeira fé e o Santo Sacrifício". Não está claro em que medida Fernandes pretende lutar contra as acusações de cisma contra ele.

Ele sugeriu que o processo canônico, que ocorreria no tribunal eclesiástico da arquidiocese de São Paulo, tinha "o objetivo de me expulsar da 'igreja conciliar' como cismático, me excomungando da 'igreja conciliar' e me despojando do estado clerical da mesma 'igreja conciliar'".

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