América do Sul lidera plantio de árvores, mas de espécies invasoras

Foto: Wikimedia Commons/Haroldo Kalleder

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04 Outubro 2023

Plantações de pinheiros e eucaliptos crescem no Brasil, Chile, Argentina e Uruguai, mas especialistas alertam para as ameaças à biodiversidade, aos solos e à água.

A reportagem é publicada por ClimaInfo, 02-10-2023.

Em 2018, o IPCC declarou que o reflorestamento em larga escala poderia contribuir com a meta de limitar o aumento da temperatura média global a 1,5°C. Para isso, seriam necessárias centenas de milhões de hectares de novas árvores.

A América do Sul é uma das líderes mundiais em plantações florestais. São 20 milhões de hectares, atrás apenas da Ásia. Essas áreas estão concentradas no Brasil, na Argentina, no Chile e no Uruguai. Embora 15% dos 131 milhões de hectares de plantações florestais do planeta estejam no subcontinente, isso não tem ajudado a conter o desmatamento ou a reduzir as emissões de gases de efeito estufa. Por quê?

Matias Avramow, em matéria no Diálogo Chino, reproduzida por ((o))eco, explica tal ineficiência: a silvicultura na América do Sul é quase toda voltada para a produção industrial. São monoculturas de pinheiros ou eucaliptos. Só uma espécie cresce em uma extensa área, impulsionada pelo uso de fertilizantes e pesticidas. É chocante: somente 3% das florestas plantadas no continente têm árvores nativas, enquanto 97% são compostas por espécies exóticas, principalmente pinus e eucalipto, para a produção de madeira e celulose, respectivamente.

O resultado é que as monoculturas prejudicam a biodiversidade e limitam a capacidade de sequestro de carbono da atmosfera. Além disso, as práticas promovem a degradação do solo e a destruição da vegetação nativa.

“Essas monoculturas não absorvem carbono da mesma forma que as florestas secundárias naturais”, explica Carlos Nobre, uma das principais autoridades em assuntos florestais no Brasil. “Elas podem remover um pouco (de carbono), mas não promovem a biodiversidade, porque são espécies invasoras”.

E a tendência é piorar, pelo menos no Brasil. Segundo o Valor, a instalação de novas fábricas de celulose e papel alimenta a corrida por madeira e terras no país, sobretudo nos Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Com a demanda superando a oferta, os preços do eucalipto em pé, que leva entre seis e sete anos para estar pronto para a produção de celulose, praticamente triplicaram de 2019 para cá, ao mesmo tempo em que a produtividade média florestal no país permaneceu estagnada. Já os preços do pinus subiram mais de 60% em um ano.

Segundo a Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), o setor de base florestal deverá investir R$ 61,9 bilhões até 2028, entre plantio de florestas, novas fábricas, modernização e logística. No segmento, a leitura é que não há disponibilidade de matéria-prima para novos projetos de celulose, além dos que estão em execução, ao menos até 2027, por causa do ciclo longo das culturas de eucalipto e pinus.

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