Ucrânia e possível visita do Papa ao Brasil, eixos do encontro entre Francisco e Lula da Silva

Foto: Vatican News

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22 Junho 2023

  • Lula detalhou seu plano de paz para a guerra e garantiu ter mandado "um enviado especial, Celso Amorim, a Moscou e Kiev", embora tenha lamentado que "os dois países acreditam que podem vencer militarmente".

  • "Agradeço ao Papa Francisco pela audiência no Vaticano e pelo bom discurso sobre a paz no mundo", tuitou Lula.

  • O Papa disse que o encontro decorreu num clima de "grande simpatia e amizade", já que ambos se conhecem há anos.

A reportagem é de Hernán Reyes Alcaide, publicada por Religión Digital, 21-06-2023.

O Papa Francisco e o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, reuniram-se hoje no Vaticano durante 45 minutos num encontro que teve a guerra na Ucrânia como um dos assuntos centrais da agenda e no qual o presidente convidou o pontífice a visitar o seu país.

O pontífice e o presidente se encontraram na tarde de quarta-feira na chamada "Auletta" da Sala Paulo VI, um grande complexo de salões do Vaticano a poucos metros da residência papal da Casa Santa Marta, onde Lula chegou acompanhado da esposa Rosangela da Silva e uma grande delegação.

Após o encontro a sós, o Papa entregou-lhe, como é costume dos chefes de Estado, a mensagem para o Dia Mundial da Paz deste ano, bem como documentos do seu pontificado e uma escultura com a frase “A paz é uma flor frágil” em bronze. Lula, por sua vez, presenteou o Papa com uma gravura do artista brasileiro JF Borges.

“Estamos em tempos de guerra e a paz é muito frágil. Dou-vos o que fazemos nas nossas oficinas”, explicou o pontífice ao presidente e  à primeira-dama brasileira, RosângelaJanjada Silva, entregando-lhes um baixo-relevo intitulado "A paz é uma flor frágil".

Segundo o que Lula anunciou na prévia, entre os temas do encontro estavam "a Ucrânia e uma grande campanha global contra a fome no mundo".

Francisco decidiu no mês passado que o cardeal Matteo Zuppi seja seu delegado pessoal para buscar uma solução pacífica para o conflito iniciado em fevereiro de 2022, especialmente por questões humanitárias, enquanto Lula busca promover um plano de paz para o fim da guerra.

"Francisco tem muito interesse em acabar com a guerra entre a Ucrânia e a Rússia e eu quero discutir isso com ele", avançou Lula nessa direção. Em entrevista publicada hoje pelo jornal Corriere, Lula detalhou seu plano de paz para a guerra e garantiu ter enviado "um enviado especial, Celso Amorim, a Moscou e Kiev", embora tenha lamentado que "os dois países acreditam que podem vencer militarmente".

"Acho que são pouquíssimas as pessoas que falam de paz. Minha angústia é que, com tanta gente passando fome no mundo, estamos falando de guerra. É urgente que Rússia e Ucrânia encontrem um caminho comum rumo à paz", disse o líder político.

Outra questão, informaram fontes da delegação brasileira, foi a possível visita do pontífice ao Brasil, o país com mais católicos do mundo, como parte de uma viagem que em 2024 também poderá incluir Argentina e Uruguai. Francisco foi ao Rio de Janeiro em 2013 para participar da Jornada Mundial da Juventude.

A agenda do presidente latino-americano começou terça-feira com um encontro com o intelectual Domenico de Masi e continuou na manhã desta quarta-feira com um encontro com a secretária-geral do Partido Democrata, Elly Schlein, e depois com o presidente Sergio Mattarella.

O encontro do Papa com Lula foi o primeiro que tiveram com o político no cargo de presidente, depois do encontro que tiveram na Casa Santa Marta em fevereiro de 2020. Antes, enquanto o atual líder estava preso por corrupção, processos posteriormente anulados pela Justiça, o Papa enviou-lhe um terço abençoado através do líder argentino Juan Grabois.

Após a visita ao Papa, Lula e sua delegação se encontrarão com o substituto do secretário de Estado do Vaticano, dom Edgar Peña Parra. Em Roma, Lula também se encontrará com a primeira-ministra Giorgia Meloni às 17h e depois com o prefeito de Roma, Roberto Gualtieri, que o visitou na prisão em 2018.

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