No Sínodo da Europa, cardeal Mario Grech diz que "as Igrejas devem redescobrir a escuta"

Cruz (Foto: Geralt | Pixabay)

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09 Fevereiro 2023

Ampliar o espaço da tenda significa escutar a todos, "ninguém excluído". Assim, referindo-se ao tema, o cardeal Mario Grech, secretário-geral do Sínodo abriu efetivamente ontem em Praga os trabalhos da Assembleia sinodal europeia. "Deveria ficar claro para todos que o sucesso do processo depende da participação ativa do povo de Deus e dos pastores. Um exercício correto da sinodalidade nunca coloca esses dois sujeitos em concorrência, mas os coloca em uma constante relação, permitindo que ambos desempenhem sua própria função", declarou o religioso.

A reportagem é de Mimmo Muolo, publicada por Avvenire, 07-02-2023. A tradução é de Luisa Rabolini.

Uma referência indireta a outras experiências sinodais que estão criando tensões? Certamente o cardeal também teve palavras duras sobre uma frente diferente. "Para muitos – recordou – a escuta corresponde a uma inútil perda de tempo, que favorece e até justifica aqueles que na Igreja querem fazer polêmicas, permitindo-lhes atrapalhar os trabalhos". Mas esse exercício é, ao contrário, a arquitrave que "sustenta e regula o exercício da sinodalidade". Todos, portanto, devem ser ouvidos, "mesmo os mais distantes, talvez assumindo como certa a escuta daqueles que participam da vida eclesial. Choveram críticas a essa indicação, como se quiséssemos favorecer uns em detrimento de outros".

Em vez disso, esta etapa continental deve "tornar-nos mais atentos às vozes ‘dentro’ da Igreja; aqueles que agitam e muitas vezes sacodem o corpo eclesial". Deste ponto de vista "também ouvimos o silêncio! Também ouvimos a cadeira vazia", ​​garantiu Grech. "Se alguém não conseguiu porque falhamos na escuta, precisamos verificar no que falhamos. Mas se não quis, precisamos entender os motivos disso. A forma mais verdadeira, que evita atalhos fáceis, é criar "lugares" onde todos possam falar; lugares de confronto, onde todos sintam que são ouvidos. A verdade na Igreja não depende do tom e do volume das afirmações, mas do consenso que sabe criar precisamente a partir da escuta recíproca".

Aproximadamente 200 delegados participam dos trabalhos em Praga e acompanharão os trabalhos presencialmente. Outros 390 são delegados online. E na delegação da CEI (presencial) estão, entre outros, Monsenhor Antonio Mura, bispo de Nuoro e Lanusei e Monsenhor Valentino Bulgarelli, diretor do Departamento Catequético Nacional e subsecretário da CEI. De 10 a 12 de fevereiro, porém, será o cardeal Matteo Zuppi, arcebispo de Bolonha e presidente da CEI, quem participará dos trabalhos reservados aos presidentes das Conferências Episcopais que, conforme indicado pela Nota Metodológica sobre as Assembleias Continentais, se encontrarão “para reler colegialmente a experiência sinodal vivida a partir de seu carisma e papel específicos”.

A propósito de escuta, porém, o arcebispo de Praga, monsenhor Jan Graubner, sublinhou: "Pelas consultas realizadas, tenho a impressão de que muitas pessoas se limitem a expressar suas opiniões, mas escutam pouco a voz do Senhor, isto é, a voz d'Aquele que nos chamou à sua obra, revelou-nos o seu plano do Reino de Deus, o plano presente na Bíblia.

A sua palavra não deve ser apenas estudada ou meditada, mas também posta em prática. Só então sua força e poder poderão se manifestar. Se não escutarmos bem o nosso guia e não escutaremos a sua palavra, deixaremos de ser peregrinos no caminho para casa. Nós nos tornaremos andarilhos perdidos, os sem-teto abandonados".

A necessidade de revitalizar o cristianismo na Europa também foi posta em evidência pelo teólogo Tomas Halik, que convidou a compreender "o que o Espírito está dizendo às Igrejas hoje".

Muitos "pescadores de homens", destacou, experimentam sentimentos semelhantes aos dos pescadores galileus das margens do lago Genesaré quando encontraram Jesus: "Trabalhamos a noite toda e não pescamos nada". Em muitos países europeus, igrejas, mosteiros e seminários estão vazios ou semivazios. Jesus diz-nos o mesmo que disse aos pescadores exaustos: 'Tentem de novo, vão para o alto mar". Fora da metáfora, significa não repetir os velhos erros. "É preciso perseverança e coragem para deixar as águas rasas e ir para águas profundas." Em substância, é "uma viagem do medo paralisante à previsão, à prudência, ao discernimento, à abertura para o futuro e para a receptividade aos desafios de Deus nos sinais dos tempos".

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