Sinal de pare da China para Putin: cessem o fogo, não aos referendos

Xi Jinping e Puttin (Foto: Divulgação)

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23 Setembro 2022

 

Cessem o fogo imediatamente, não aos referendos sobre a anexação de quatro regiões da Ucrânia à Rússia. A China de Xi Jinping já havia dado a entender isso a Vladimir Putin com o apelo para a "estabilidade contra o caos", durante a cúpula bilateral em Samarcanda. Agora, de forma ainda mais clara, chega de Pequim o pedido para a desescalada.

 

A reportagem é publicada por Huffpost, 22-09-2022. A tradução é de Luisa Rabolini.

 

"Pedimos às partes interessadas que realizem um cessar-fogo por meio do diálogo e da consulta e encontrem uma solução que atenda às legítimas preocupações de segurança de todas as partes o mais rápido possível", esclareceu hoje o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores no briefing diário de Pequim, Wang Wenbin. Depois, pressionado pelo repórter da Tass por um comentário sobre o referendo de 23-27 de setembro para a adesão à Federação Russa das quatro regiões ocupadas pelos militares de Moscou, usou tons duros, reapresentando argumentos deixados de lado há vários meses. "A China pede para respeitar a soberania de todos os países e sua posição sobre a Ucrânia é coerente", disse Wang, acrescentando que "a China insiste que a soberania e a integridade territorial de todos os países devem ser respeitadas, assim como a Carta e os princípios da ONU".

 

Há também a necessidade de levar em conta as "legítimas preocupações em matéria de segurança de todos os países" que "devem ser levadas a sério" e "todos os esforços destinados à resolução pacífica da crise que deveriam ser apoiados". A este respeito, Pequim "convida as partes a resolverem adequadamente as divergências através do diálogo e as consultas e está disposta a colaborar com a comunidade internacional para continuar a desempenhar um papel construtivo na mitigação da situação".

 

China e Rússia se aproximaram nos últimos anos em uma parceria - não aliança - "sem limites" que se traduziu numa ação estratégica conjunta em contraposição ao domínio global dos EUA e do Ocidente: os últimos movimentos do Kremlin, no entanto, levantaram fortes temores em Pequim de que a situação possa sair do controle e esfriou inevitavelmente as relações.

 

Segundo alguns, a anexação dos territórios seria o pretexto legal para "ameaçar" o uso de armas nucleares para proteger o território russo, escreveu Hu Xijin, em um extenso editorial no Global Times, o tabloide nacionalista do Diário do Povo. Hu, um falcão que sabe perceber os humores dos altos escalões do Partido Comunista, deixou de lado por uma vez as duras críticas aos EUA e à OTAN sobre a responsabilidade pela crise, pedindo "um freio de emergência na situação na Ucrânia em uma fase em que a dimensão da guerra ainda é administrável. Um cessar-fogo e negociações são necessários, em vez de um confronto cada vez maior entre a Rússia e a OTAN". Porque, concluiu, entre potências nucleares não poderão haver vencedores e vencidos: "Qualquer um que tentar subjugar completamente a outra parte só pode ser um louco".

 

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