Haiti. Pobreza, desespero e falta de políticas adequadas alimentam a violência também contra a Igreja

Foto: Marcello Casal Jr/ABr | Wikimedia Commons

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22 Setembro 2022

 

"Solidariedade e plena comunhão neste momento de incerteza e grande dor" aos irmãos jesuítas do Serviço Jesuíta ao Migrante (SJM) pelo atentado a uma das suas casas de migrantes, localizada em Ounaminteh, no norte de Haiti, foi expresso pela Rede Clamor, a rede eclesial engajada na frente da emigração, refugiados, tráfico e pessoas deslocadas. A estrutura foi saqueada e destruída nos últimos dias por um grupo de pessoas, "no clima de caos geral que nunca acaba neste país sofredor".

 

A reportagem é publicada por Agência Fides, 21-09-2022. A tradução é de Luisa Rabolini.

 

"Conhecemos o grande serviço que vocês prestam ao povo haitiano, especialmente às pessoas em mobilidade forçada, vítimas de crescente empobrecimento, violência e catástrofes ligadas à crise climática" está escrito na mensagem, que destaca: "Somos testemunhas do amor que sentem e do alto apreço da esmagadora maioria dos haitianos pelo trabalho que vocês realizam, esses eventos isolados são o fruto do desespero e da falta de políticas públicas para guiar todos os haitianos pelos caminhos do desenvolvimento humano integral, sem que ninguém seja excluído do seu direito de viver com dignidade".

 

Por isso, a Rede Clamor se une à oração para que a violência acabe e o SJM possa continuar seu trabalho no Haiti em plena segurança dos bens e da vida das pessoas. Além disso, ora para que o Senhor toque os corações dos autores da violência, que são "vítimas do sistema vigente no Haiti, que degrada os seres humanos e gera violência".

 

Haiti (Foto: Connormah | Wikimedia Commons)

 

Mais uma vez, nos últimos dias, os bispos haitianos haviam lançado um grito de alarme sobre a gravidade da situação, em nome de toda a Igreja presente no país caribenho: "A situação de pobreza e insegurança que se espalha por toda parte mostra claramente que nossas autoridades não têm capacidade de trazer o país de volta à normalidade, como deveria ser feito". “A situação é grave. A miséria é dura. As pessoas precisam viver e têm todo o direito de viver com respeito e dignidade", está escrito no documento da Conferência Episcopal do Haiti.

 

Os bispos denunciavam também alguns radialistas, que querem envolver a Igreja Católica no tráfico de armas, ameaçando realizar atos violentos contra edifícios eclesiais, sacerdotes, freiras e colaboradores de instituições católicas. Para isso reiteraram que a Igreja Católica "não está envolvida no comércio de armas" e pediram "que parem de semear confusão entre a população. A difamação e a calúnia são pecados graves". Mais uma vez especificaram que a missão da Igreja Católica no Haiti "é servir a todas as pessoas nos quatro cantos do país, nas cidades e nas áreas remotas. Estamos empenhados não só no trabalho de anunciar a Boa Nova e evangelizar as pessoas, mas também nos campos da educação, da saúde, da promoção da dignidade e dos direitos humanos, no desenvolvimento social e em todo tipo de obras de caridade, para ajudar o povo haitiano a não se deixar roubar a esperança, em meio a uma situação de desespero e desordem”.

 

Há muito que os bispos do Haiti vêm lançando apelos e chamamentos sobre a difícil crise que atravessa o país em todos os níveis. A violência e a corrupção são desenfreadas, a população está na miséria, os desastres naturais que frequentemente atingiram a ilha e a pandemia de Covid-19 agravaram a situação, como a instabilidade política, que viu um ano atrás o assassinato do presidente da República, Jovenel Moïse.

 

A Igreja compartilha o caos institucional, econômico e social que há anos afeta o país e a dor daqueles que são vítimas de sequestros, estupros e violências. Sacerdotes, freiras e agentes pastorais que continuam sua missão estão expostos a violências de todos os tipos, como sequestros, assaltos e agressões. A última missionária a ser assassinada foi a Irmã Luisa Dell'Orto, Irmãzinha do Evangelho de Charles de Foucauld, morta em 25 de junho em Porto Príncipe. A irmã Luísa morava ali há vinte anos, dedicando-se sobretudo ao serviço dos meninos de rua.

 

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