Principais financiadores da bancada ruralista faturam mais de R$ 1,47 trilhão

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22 Julho 2022

 

Maior que os PIBs de Portugal e Finlândia, montante leva em conta apenas resultados obtidos no Brasil; das 100 maiores empresas do agronegócio no país, segundo a Forbes, 47 ajudam a manter o Instituto Pensar Agro (IPA), motor logístico da Frente Parlamentar da Agropecuária.

 

(Foto: Reprodução | De Olhos nos Ruralistas)

 

A reportagem é de Mariana Franco Ramos, publicada por De Olho nos Ruralistas, 20-07-2022.

 

As principais empresas que integram a cadeia de financiamento do Instituto Pensar Agro (IPA), motor logístico da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), faturam juntas, por ano, mais de R$ 1,47 trilhão. O valor é subdimensionado, pois leva em conta apenas balanços dos exercícios financeiros de 2019 e 2020, disponibilizados pelas próprias companhias, em informes ao mercado ou releases para a imprensa.

 

De Olho nos Ruralistas analisou os resultados financeiros de 128 companhias, dentre aquelas que participam simultaneamente em duas ou mais associações mantenedoras. O montante não inclui as receitas obtidas pelas corporações em outros países onde elas atuam. Algumas, mesmo sendo de capital aberto, especificam somente as vendas e os lucros totais ou por continente. A soma também não engloba as cifras correspondentes aos bancos, que aparecem como financiadores ocultos do IPA.

 

Mesmo assim, a receita é maior que o Produto Interno Bruto (PIB) de Portugal, 47º do mundo e estimado em R$ 1,24 trilhão, e que o da Finlândia, que fechou o ano de 2020 com um PIB de R$ 1,41 trilhão, segundo dados do Fundo Monetário Internacional (FMI). Para uniformizar os valores, o observatório utilizou a taxa de câmbio média informada pelo Banco Central no ano.

 

Os dados fazem parte do dossiê “Os Financiadores da Boiada: como as multinacionais do agronegócio sustentam a bancada ruralista e patrocinam o desmonte socioambiental“, publicado na segunda (18), com versões em português e inglês.

 

Lista de financiadores inclui as dez maiores do agronegócio

 

Responsável por formular as pautas legislativas e definir o posicionamento político da FPA no Congresso, o think tank ruralista recebe a contribuição direta de 48 associações do agronegócio que, por sua vez, são compostas por 1.078 empresas privadas e mais de 69 mil associados individuais — entre sojicultores, pecuaristas, usineiros e algodoeiros.

 

A cadeia de financiamento do IPA engloba tanto corporações brasileiras como grupos de capital estrangeiro, sediados em 34 países, de quatro continentes diferentes. Uma miríade que será detalhada pelo observatório em série de reportagens durante as próximas semanas.

 

Dentre as holdings há 47 gigantes, listadas entre as cem maiores do agronegócio pela Forbes. Conforme a revista, elas apresentam, no total, receita líquida anual superior a R$ 1 trilhão. O levantamento da Forbes tem como base informações da agência Standard & Poor’s, da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA) e da consultoria Economatica.

 

A lista de financiadoras indiretas do IPA inclui as dez primeiras colocadas no ranking da publicação. A líder é a JBS, maior processadora de carnes do mundo, que atingiu, em 2020, em plena pandemia, a receita recorde de R$ 270,2 bilhões, um crescimento de 32% em relação a 2019. A empresa dos irmãos Wesley e Joesley Batista aparece em destaque também na articulação setorial, estando associada a sete organizações mantenedoras do instituto, com destaque para a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), atualmente presidida por Antônio Jorge Camardelli, ex-diretor de estratégia empresarial da JBS e membro da diretoria do IPA.

 

Na sequência vêm Raízen (R$ 120,6 bi), ou seja, Shell e Cosan, a própria Cosan (R$ 68,6 bi), Marfrig (R$ 67,5 bi), Cargill (R$ 67,2 bi), Ambev (R$ 58,4 bi), Bunge (50,5 bi), Copersucar (R$ 38,7 bi) BRF (R$ 33,5 bi) e Cofco (R$ 33,22 bi).

 

A Forbes considera em sua lista apenas as empresas com faturamento no Brasil superior a R$ 1 bilhão. A pesquisa se baseia no grau de atuação de cada uma ou no grupo do agronegócio brasileiro, mesmo que sua atividade principal não tenha relação direta com a produção agropecuária nacional. A Ambev, por exemplo, uma das lideres do Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv), recém-filiado ao IPA, produz cevada no Paraná e no Rio Grande do Sul.

 

Constam no ranking, entre as cem maiores, outras financiadoras do IPA, como Suzano, Cofco, Louis Dreyfus (LDC), Amaggi, Minerva Foods, Tereos, Klabin, Aurora, C. Vale, Bayer, Lar Cooperativa, Biosev, Atvos, Eldorado Brasil, Cooxupé, Copacol, São Martinho, Castrolanda, Citrosuco, Frimesa, Itambé e Coopavel.

 

PIB do agronegócio cresce enquanto país volta ao Mapa da Fome

 

Os demonstrativos financeiros das empresas que compõem a cadeia de financiamento do IPA evidenciam que, apesar do empobrecimento da população e do retorno do Brasil ao Mapa da Fome, para o setor não houve crise.

 

O PIB do agronegócio fechou 2020 — ano-base para o levantamento da Forbes — com uma expansão recorde de 24,31%, na comparação com 2019, de acordo com cálculo realizado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Escola Superior de Agricultura da Universidade de São Paulo (Cepea/Esalq/USP). Em 2021, o número teve um novo salto, crescendo 8,36% em relação ao ano anterior, um aumento considerado “abaixo das projeções” pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), uma das parceiras na divulgação do estudo.

 

O crescimento do setor em meio à pandemia tornou-se tema de campanha de empresas e entidades do agronegócio. Usado pela primeira vez em março de 2020 em um vídeo institucional da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), o slogan “O Agro não Para” foi veiculado em anúncios publicitários pela brasileira Ourofino e pela multinacional francesa Ceva, ambas integrantes do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan), uma das fundadoras do Pensar Agro. Adotada por líderes da FPA como os deputados Pedro Lupion e Aline Sleutjes, a frase virou até mesmo refrão de música da dupla Zé Gabriel e Rafael.

 

Enquanto o “Agro” não parava, trabalhadores morriam na pandemia, como o De Olho nos Ruralistas mostrou em reportagem de julho de 2020: “Agronegócio pode ter infectado 400 mil trabalhadores no Brasil por Covid-19”.

 

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