Sentir com o coração: em um pedacinho da floresta, renasce o Povo da Onça

Povo da Onça | Foto: Secom Governo do Acre/Marcos Vicentti

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26 Mai 2022

 

No Acre, com a chegada dos seringalistas, os povos indígenas passaram por mudanças, com muitas intervenções do homem branco, que quase os dizimaram, e muitos povos abandonaram suas tradições.

 

A reportagem é de Marcos Vicentti, publicada por Secretaria de Estado de Comunicação – Governo do Acre, 22-05-2022.

 

No alto Rio Moa, próximo ao Parque Nacional Serra do Divisor, no município de Mâncio Lima, renascem 17 famílias indígenas da etnia Nukini, sob a liderança do cacique Xiti Inukunui.

 

Povo da Onça (Foto: Secom Governo do Acre/Marcos Vicentti)

 

O líder se mantém firme no propósito de organização comunitária e de fortalecimento da cultura de seu povo, em busca do resgate das antigas tradições, como a língua, a dança, a espiritualidade e o artesanato, com belas pulseiras, brincos e cocares.

 

Além disso, há as medicinas da floresta, como o rapé, a sananga (um colírio natural que espiritualmente e energeticamente ajuda a limpar o canal ocular e contribui para a percepção do “terceiro olho” ou visão interior), os banhos de argila e de ervas sagradas, o sipá (incenso natural da floresta), a caiçuma (bebida fermentada) e a ayahuasca, que fazem parte da cultura e valorização do povo Nukini ou “Povo da Onça”.

 

Povo da Onça (Foto: Secom Governo do Acre/Marcos Vicentti)

 

No sistema de compartilhamento da aldeia Recanto Verde, todos têm energia solar, água e tudo o que se planta é dividido. Para manter a floresta viva, o reflorestamento se dá diariamente com o plantio de mudas, para que as futuras gerações também possam usufruir desse presente. Com sorriso no rosto, os guerreiros fazem tudo com alegria e disposição. Foi o que presenciei nesses dias de luz, uma luz que vem da floresta.

 

Povo da Onça (Foto: Secom Governo do Acre/Marcos Vicentti)

 

Pude vivenciar uma das mais incríveis experiências de vida. Foram seis dias intensos na aldeia. Ajudei no preparo da caiçuma, tomei banho de argila, mergulhei no rio, fiz uso de rapé, tomei ayahuasca, lavei a alma com banho de chuva e recebi na pele várias tatuagens de proteção. Participar da cerimônia no kupichawa (local sagrado ou centro espiritual) foi algo extraordinário, uma experiência vivida com músicas, danças e meditação.

 

Povo da Onça (Foto: Secom Governo do Acre/Marcos Vicentti)

 

O cacique Xiti Inukunui, um guerreiro à frente do seu tempo, com um trabalho intenso, está conseguindo resgatar a cultura do seu povo. Cada vez mais aprendo que nesta vida o simples e o belo andam juntos. Só gratidão ao universo por me proporcionar esse momento.

 

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