O silêncio amazônico lateja a consciência ocidental

Foto: Pixabay

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26 Abril 2022

 

"A Amazônia é fêmea independente e guerreira, além de ser indiferente à bravura do patriarcal moderno anacrônico que se corrói com medo de si mesmo e, sem alternativa, agride, mata, e grita a sua vaidade vazia sem eco que venceu a morte sem perceber que atacando a fêmea, elimina a gestora de vidas", escreve José Dalvo Santiago da Cruz, doutor em linguística, mestre em Educação, especialista em Antropologia na Amazônia e graduado em Filosofia.

 

Eis o artigo.

 

A consciência é instrumento histórico que empreita contra a estrutura axiomática da natureza, característica fundamental ocidental desde o momento em que a racionalidade dialética paradoxal se deparou com a narração mítica despretensiosa acrítica fluente no compasso da imanência existencial.

 

A foto que inspira este texto insere o leitor na cena silenciosa tropical lhe mostrando a exuberância e a dimensão horizontal de uma ontologia inefável e intangível à racionalidade ocidental curiosa e solitária que empreita impulsivamente de quem depende: a Amazônia que irriga regiões alhures e alimenta material e empaticamente o emocional do ser ocidental consciente de sua solidão nesta existência.

 

Baixo rio Amazonas, 2022 (Foto: Adalmir Chíxaro, enviada pelo autor)

 

A relação do racional consciente ocidental com a floresta tropical é uma questão de incompatibilidade ontológica porque as lógicas tropicais da fauna e da flora são orquestradas nas narrações míticas dos saberes nativos do lugar como expressão das entidades maternas do lugar não somente do aspecto geográfico, mas, sobretudo, no lugar como espaço de racionalidades dinamizadas numa mesma physis constituída de materialidade e de imaterialidade.

 

Nos trópicos, o racional ocidental age impulsivamente no individualismo ideológico genuinamente moderno de pretensões antropocêntricas ao ritmo de uma compulsão numa necessidade quase imperiosa de se evitar, sublimando-se enfeitiçado no feixe de luz do eldorado como ideal contínuo e inalcançável como propósito fundamental da ideia de ocidentalidade enroscada na teia da ilusão moderna.

 

A Amazônia é fêmea independente e guerreira, além de ser indiferente à bravura do patriarcal moderno anacrônico que se corrói com medo de si mesmo e, sem alternativa, agride, mata, e grita a sua vaidade vazia sem eco que venceu a morte sem perceber que atacando a fêmea, elimina a gestora de vidas.

 

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