Um ataque ao projeto europeu

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26 Fevereiro 2022

 

O presidente da Pax Christi alemã, Heiner Wilmer, bispo dehoniano de Hildesheim, definiu a invasão militar russa da Ucrânia como “uma ferida gritante no direito internacional e um ataque ao projeto europeu. A invasão tem como escopo destruir a independência da Ucrânia e submeter o país à influência da Rússia. Trata-se claramente de um grave ato criminoso”.

 

O comentário é de Marcello Neri, teólogo e padre italiano, professor da Universidade de Flensburg, na Alemanha, em artigo publicado por Settimana News, 25-02-2022. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

 

De acordo com Dom Wilmer, é importante compreender rapidamente “que não se trata apenas de um conflito regional, mas também de um segmento de um confronto decisivo em relação ao futuro da Europa. Mesmo que as ações militares e a fase mais quente da guerra terminassem em tempos relativamente breves, o conflito de fundo permanece. O projeto europeu – liberdade, democracia, direitos humanos e um mercado atento à dimensão social –, pelo qual a grande maioria dos cidadãos ucranianos decidiu, representa um contramodelo ao regime autoritário de Putin. Neste momento, apresenta-se para as sociedades europeias, mas também para o Ocidente como um todo, a tarefa de participar desse conflito de visões e seguir adiante com convicção, sem retroceder”.

Neste momento, a partir da visão do projeto europeu, isso significa implementar “sanções fortes” contra a Rússia, como um claro sinal de “solidariedade com a Ucrânia” – mas também como uma confissão comunitária do quadro de valores em torno do qual se constrói o projeto europeu: “Muito dependerá do fato de a Europa e o Ocidente conseguirem estar unidos, coesos e firmes” no confronto com a Rússia.

É igualmente urgente, diante da altamente provável crise de refugiados ucranianos, a necessidade de mostrar “a solidariedade europeia” – não apenas necessária neste momento, mas também devida.

 

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