Bispos filipinos saúdam paralisação de projeto de construção de megarrepresa

Barragem de Kaliwa, Filipinas. (Foto: IBON Foundation)

Mais Lidos

  • O Apocalipse não é o fim do mundo, mas a salvação do cristão. Artigo de Enzo Bianchi

    LER MAIS
  • Primeira encíclica do Papa Leão XIV reforça o conceito de dignidade ontológica absoluta, denuncia a não neutralidade tecnológica e concentração privada do poder digital e chega a um público que os documentos jurídicos não alcançam, diz advogado e pesquisador da área do Direito

    Magnifica Humanitas: “Uma leitura que nenhum documento governamental teria facilidade de fazer com franqueza”. Entrevista especial com Marcelo Chiavassa

    LER MAIS
  • Veja o que pode mudar após Câmara aprovar fim da escala 6x1

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Aceleracionismo Amazônico

Edição: 559

Leia mais

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

15 Junho 2021

 

A Conferência dos Bispos das Filipinas acolheu a decisão dos legisladores do país de suspender a construção de um polêmico projeto de barragem, que, segundo ela, afetaria negativamente os povos indígenas e o meio ambiente.

A reportagem é publicada por Catholic News Service, 14-06-2021. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O projeto da Barragem de Kaliwa, orçado em 254 milhões de dólares [1,3 bilhão de reais] e financiado pela China, na província de Quezon, ao sul da capital Manila, está envolvido em polêmicas.

Os ambientalistas afirmam que ele envolveria a destruição de uma floresta de 300 hectares que abriga 126 espécies de plantas e animais selvagens.

Os bispos filipinos também expressaram preocupação em 2020 de que a barragem forçaria grupos indígenas como os Dumagat-Remontados a abandonarem suas terras ancestrais.

Os legisladores interromperam a construção no dia 9 de junho, durante uma investigação sobre suposta corrupção para obter licenças do governo.

“O projeto da megarrepresa de Kaliwa é contra o desenvolvimento inclusivo. Estamos felizes em saber dessa decisão dos nossos legisladores”, disse a Comissão Episcopal sobre Ação Social, Justiça e Paz, em um comunicado de 10 de junho.

O bispo Jose Colin Bagaforo, de Kidapawan, presidente da comissão, também disse que o bem comum deve ser priorizado sobre os interesses comerciais.

“Os povos indígenas, a comunidade e o ambiente não devem ser sacrificados sobre o altar da agressão ao desenvolvimento que só beneficiaria os interesses das grandes empresas”, disse ele aos repórteres.

Ele disse que os legisladores e o governo têm o dever de proteger os cidadãos marginalizados, incluindo as comunidades indígenas.

“O Estado deve considerar o povo indígena como os guardiões da biodiversidade remanescente do país, com o direito de protegerem suas terras ancestrais”, disse o bispo Bagaforo.

O presidente Rodrigo Duterte pressionou pelo projeto, chamando-o de “último recurso” para estabilizar o abastecimento de água de Manila.

Em uma entrevista recente, o bispo Broderick Pabillo, administrador apostólico da Arquidiocese de Manila, pediu uma “revisão adequada” do projeto.

“Enquanto a Terra está sofrendo com o aquecimento global, aqui ainda estamos fazendo projetos de sempre, quando estudos internacionais mostraram que grandes barragens não são aconselháveis, porque não são confiáveis e são construídas com um custo econômico exagerado”, disse ele à Rádio Veritas.

 

Leia mais