Ramal ilegal a partir da rodovia BR-319 invade Reserva Extrativista e ameaça Terra Indígena

BR 319, que liga os estados do Amazonas e Rondônia. (Foto: Fernando O G Figueiredo | PPBIO-CENBAM)

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11 Março 2020

"Os indígenas e ribeirinhos estão alarmados com a possibilidade de violência pelos construtores do ramal e a provável invasão da área por grileiros e outros agentes do desmatamento", escrevem Philip Martin Fearnside, doutor pelo Departamento de Ecologia e Biologia Evolucionária da Universidade de Michigan (EUA), pesquisador titular do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), em Manaus (AM), membro da Academia Brasileira de Ciências e pesquisador 1A de CNPq e recebeu o Prêmio Nobel da Paz, em 2007, pelo Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas (IPCC), Lucas Ferrante, formado em Ciências Biológicas pela Universidade Federal de Alfenas (UNIFAL), mestre e doutorando em Biologia (Ecologia) pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e pesquisador associado ao Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia dos Serviços Ambientais da Amazônia (INCT-SERVAMB) e Maryane Andrade, aluna da pós-graduação no INPA, ambos orientados pelo Dr. Fearnside, Ferrante no programa de doutorado em Ecologia e Andrade no programa de mestrado em Ciências de Florestas Tropicais, em artigo publicado por Amazônia Real, 09-03-2020.

Eis o artigo.

Em 02 de março um evento sobre impactos atuais e esperados da reconstrução da rodovia BR-319 (Manaus-Porto Velho) foi organizado por lideranças indígenas e ribeirinhos do Lago do Capanã, no Município de Manicoré, Amazonas. O evento foi realizado na Câmara Municipal de Manicoré, reunindo 21 lideranças. Apresentamos palestras sobre impactos da rodovia, e as lideranças contribuíram com uma série de depoimentos e denúncias.

Entre as denúncias feitas, um cacique (que prefere não ser identificado por medo de retaliação), disse que um ramal foi aberto adentrando a Reserva Extrativista Lago do Capanã Grande em direção à Terra Indígena Lago Capanã (Figura 1). Ele disse que uma ponte foi construída com duas castanheiras cortadas longitudinalmente no meio (Figura 2) para o acesso de tratores dentro da terra indígena. A ponte foi feita nos últimos 15 dias por invasores do território.

Figura 1. Mapa da Reserva Extrativista Lago do Capanã Grande e das Terras (Fonte: Amazônia Real)

Figura 2. Ponte feita de duas castanheiras no ramal ilegal na Reserva Extrativista Lago do Capanã Grande (Foto: Amazônia Real – Divulgação/Março de 2020)

Os indígenas e ribeirinhos estão alarmados com a possibilidade de violência pelos construtores do ramal e a provável invasão da área por grileiros e outros agentes do desmatamento. Como falou o cacique Ademor Leite Mura, “amanhã isto será campo”.

Não se sabe quem estaria financiando a construção do ramal.

 

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