Colômbia: 250.000 na marcha-concerto de domingo. Padre De Roux, “a mobilização diz que o povo não quer mais guerra e cultura da luta”

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11 Dezembro 2019

Após 19 dias de mobilização popular, marchas, panelaços, 250.000 pessoas no último domingo, segundo o jornal Publimetro, marcharam no centro de Bogotá ao longo da Carrera Séptima, até o norte da capital, na rua 85, partindo do local simbólico do cruzamento entre a rua 19 e a Carrera 4, onde foi morto, muito provavelmente, pela polícia (Esmad) o jovem Dilan Cruz, 17 anos.

Um caminhão com grandes alto-falantes, tornou-se o cenário móvel de um concerto com 40 artistas colombianos que alternavam músicas com slogans gritados pacificamente por centenas de milhares de jovens estudantes, na maioria de universidades públicas e classes populares.

A reportagem é publicada por Agência SIR, 10-12-2019. A tradução é de Luisa Rabolini.

"Mesmo nesse contexto macro, tudo manteve um caráter festivo, marcado pela não violência e pela resistência ativa ao estilo de Gandhi, que contradiz totalmente os discursos alarmistas do presidente Duque, que, segundo uma nova pesquisa, conta com o apoio de 30% da população, enquanto 70% apoiariam a mobilização nacional". É o que afirma Cristiano Morsolin, especialista em direitos humanos na América Latina, que continua: "Como observador internacional, acompanhei o padre jesuíta Francisco de Roux, presidente da Comissão pela Verdade, que se tornou uma referência ética para milhares de jovens".

O próprio padre De Roux comenta para o Sir: "Depois da morte de Dilan, provocada por um agente do Emsad, expresso ainda solidariedade para a família, dor e indignação pela violência. Que essa tragédia abra à reconciliação na verdade e mobilize o legítimo protesto dos cidadãos sem violência. E nem um estudante nem um policial a mais morram neste momento de esperança".

O jesuíta continua: "Este grande concerto é uma expressão importante para afirmar que todo o país deve ir além. A greve nacional serve para dizer que nós, povos, não queremos mais guerra, não queremos a cultura da luta, essa é a mentalidade dos antigos políticos. Devemos ouvir as esperanças e os sonhos dos jovens que têm demandas claras. Eles querem uma negociação popular, que veja as pessoas e as organizações sociais como protagonistas, com vistas à proteção do meio ambiente, a inclusão e a igualdade, a justiça social e o respeito aos povos, uma educação adequada para os jovens nos setores populares, cujo nível de desemprego atinge a 40% ".

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