Garimpeiros bloqueiam BR 163 em protesto contra queima de maquinário

Bloqueio na BR 163. | Foto: Reprodução/PRF

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

12 Setembro 2019

Um grupo formado por cerca de 250 garimpeiros fechou a rodovia BR 163, no Pará, na altura de Moraes de Almeida, distrito de Itaituba, nesta segunda-feira (09). Os manifestantes pediam a legalização das áreas de garimpo de ouro, o fim de queima de maquinário realizado pela fiscalização ambiental e um encontro com o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles.

A reportagem é de Daniele Bragança, publicada por ((o))eco, 10-09-2019.

Em julho, duas semanas após um grupo atear fogo em um caminhão-tanque do Ibama, o ministro se encontrou com os madeireiros em Rondônia, onde prestou solidariedade. Os garimpeiros de Itaituba esperam o mesmo gesto de apoio vindos do governo federal e não gostaram de apenas receber acenos de pessoas ligadas ao governo, mas que não estão em posição de comando.

“Eles (políticos) têm que vir pessoalmente conversar com a gente aqui na paralisação, não é mandar recado pro grupo não. Eles tem que vir aqui pessoalmente, aí sim a gente acredita, assinado papel aqui, confirmando com a gente”, disse um participante de um dos grupo de WhatsApp montados para organizar a manifestação.

Mensagem que circula nos grupos de WhatsApp. (Imagem: Reprodução)

Bolsonaro foi eleito prometendo tirar o Ibama do cangote do produtor rural, falando em abrir mineração em áreas hoje não permitidas, como terras indígenas e, já na presidência, desautorizou a queima de maquinário em operação de fiscalização. A inutilização de maquinário está descrito no decreto 6.514, de 2008 e tem como objetivo tornar o preço do delito ambiental oneroso para o infrator.

Com a mudança de governo, os garimpeiros se sentiram seguros para investir no negócio mesmo sem licença. E após meses de fiscalização ambiental frouxa, estão irritados com o retorno do estado dizendo que não é permitido minerar em terra indígena, unidades de conservação e mesmo em área “branca” [área não destinada para proteção] sem licença de lavra.

O cenário mudou no dia 23 de agosto, quando o presidente assinou decreto para autorizar o uso das Forças Armadas no combate a queimadas na Amazônia.

Na semana passada, na região entre Itaituba, Novo Progresso e Altamira, os órgãos ambientais federais, Ibama e ICMBio, com auxílio do Exército e da Força Nacional, queimaram maquinário de garimpo ilegal dentro de terra indígena e unidade de conservação. A BR 163 é cercada por um grande mosaico de unidades de conservação e terras indígenas. 

Fechamento de estrada

A organização do fechamento da BR 163 foi iniciada no fim de semana. Os áudios começaram a circular entre familiares, garimpeiros, comerciantes e, obviamente, policiais rodoviários federais (PRF), que se prepararam para lidar com o bloqueio da principal estrada que escoa a produção de grãos do Mato Grosso ao porto de Miritituba, em Itaituba.

Um garimpeiro enviou um áudio reclamando que a PRF estava retendo os caminhões próximo da comunidade Santa Júlia, em Novo Progresso. “Enfraquece o movimento, não tem o vuco-vuco porque a federal [polícia rodoviária] não quer deixar os caminhões entrarem dentro da cidade ali em Moraes”.

O mesmo garimpeiro se disse chateado porque os manifestantes não trouxeram para o protesto as máquinas queimadas pelos órgãos ambientais. “Consertar não dá conserto mais aquela máquina. Então traz e deixa apodrecendo ali na beira da pista pra todo mundo que passar ali colocar uma placa, uma faixona nela, uma placa: “Quem queimou isso aqui foi o Ibama/ICMBio”. Para você ver se não impacta esse negócio ai [a manifestação]. Ainda é tempo de buscar uma máquina lá. Ainda é tempo”, disse.

Novo superintendente do Ibama no Pará apoia fim da queima de maquinário

O novo superintendente do Ibama no Pará, o coronel da PM Evandro Cunha dos Santos, disse que recebeu ordens para não deixar que o Ibama inutilize o maquinário usado em crime ambiental.

“Porque eu sou soldado e sei cumprir ordens. E a ordem que eu recebi foi para parar isso daí (queima de veículos apreendidos)”, disse, em audiência pública realizada em Altamira nesta segunda-feira.

Evandro Cunha dos Santos foi nomeado na semana passada para comandar o Ibama no Pará.

“Eu vim para essa responsabilidade indicado pelo próprio presidente Bolsonaro. Então o ministro Ricardo Salles me chamou lá em Brasília, efetivou o convite e me falou das problemáticas que estavam acontecendo aqui na região como um todo, tá? Bom, quero dizer para vocês o seguinte: eu sou homem de Deus e homem de Deus não gosta de fogo. Quem gosta de fogo é Satanás. Quero dizer para vocês o seguinte: fiquem certo, fiquem certo, que isso vai cessar. Vamos trabalhar diuturnamente para acabar com essa problemática de estarem danificando o patrimônio alheio”, disse, sob aplausos.

Leia mais