As homilias contra Hitler e o silêncio de Pio XII

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08 Março 2019

"Os três sermões do bispo von Galen também para nós propiciam, na via da dor que percorremos juntos com os católicos alemães, um conforto e uma satisfação, que não sentíamos há muito tempo. O bispo escolheu muito bem o momento para se manifestar com tanta coragem". Assim escrevia Pio XII em 30 de setembro de 1941 ao bispo de Berlim, Konrad von Preysing, para louvar os furiosos sermões do bispo de Münster contra a dizimação nazista de pessoas com deficiência que entraria para a história como o ''Aktion T4".

A reportagem é de Gian Antonio Stella, publicada por Corriere della Sera, 06-03-2019. A tradução é de Luisa Rabolini.

A decisão do Papa Francisco de abrir aos historiadores os arquivos secretos de Eugenio Pacelli conseguirá lançar luz sobre as escolhas controversas daquele pontífice, que, antes de ser eleito ao trono de São Pedro, havia sido núncio apostólico na Alemanha e como secretário de Estado havia também assinado o Reichskonkordat com o regime de Adolf Hitler em 1933? Teremos que ver. Pelo menos a carta a von Preysing, no entanto, é conhecida há anos. E foi reproduzida integralmente, por exemplo, no livro "Un vescovo contro Hitler” (Um bispo contra Hitler, em trad. livre), da correspondente no Vaticano e escritora Stefania Falasca, amiga do Papa Francisco, texto que ele deve ter apreciado bastante, ele que tanto insiste contra a "cultura do descarte”, especialmente algumas passagens do sermão mais duras e incisivas daquele que passaria à história como “O Leão de Münster”.

"Você tem, eu tenho direito à vida somente enquanto somos produtivos, enquanto somos considerados produtivos por outros?" trovejava então o grande Clemens von Galen, que depois de ter sido forçado pela Concordata a jurar lealdade ao regime, havia começado a remar contra quase tudo, "Quando se admite o princípio aplicado agora, que o ‘homem improdutivo’ possa ser morto, ai de todos nós, quando seremos velhos e decrépitos! Se é possível matar pessoas improdutivas, ai dos inválidos, que no processo produtivo empenharam suas forças, seus ossos saudáveis, os sacrificaram e os perderam!". Foi uma bomba, aquela homilia, entre os católicos alemães. A ponto de obrigar Hitler a interromper (formalmente) as dizimações da Aktion T4. "Foi o ataque frontal mais forte desferido contra o nazismo", chiou Martin Bormann, exigindo furioso que o bispo rebelde fosse enforcado. Mas, von Galen, era muito amado. Demasiado popular. Ninguém se atreveu a tocá-lo. Muitos anos depois, há quem ainda se pergunte, angustiado: por que o Papa não falou?

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