ONGs pedem diálogo a governo Bolsonaro

O general Carlos Alberto dos Santos Cruz é o novo ministro da Secretaria de Governo (Foto: MONUSCO Photos | Flickr CC)

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

10 Janeiro 2019

Em carta enviada a ministro Carlos Alberto dos Santos Cruz, entidades nacionais e estrangeiras demonstram preocupação com monitoramento e lembram que medida fere a Constituição.

A reportagem é publicada por Deutsche Welle, 09-01-2019.

Mais de 50 ONGs, nacionais e estrangeiras que atuam no Brasil, manifestaram nesta quarta-feira (09/01) preocupação com o anúncio do governo de Jair Bolsonaro de monitorar e controlar as atividades das entidades e organismos internacionais em território brasileiro.

Numa carta enviada ao ministro Carlos Alberto dos Santos Cruz, que comanda a Secretaria de Governo da Presidência, as ONGs pediram a abertura do diálogo. Entre os signatários do documento estão a Transparência Brasil, a Oxfam Brasil, a Conectas, os institutos Socioambiental (ISA), Sou da Paz e Ethos

As entidades argumentam que "uma sociedade civil plural, atuante e autônoma" é fundamental para a qualidade da democracia. "Não à toa, nossa Constituição assegura liberdades de associação, expressão e manifestação e veda qualquer interferência estatal no funcionamento das associações", ressaltam.

As ONGs afirmam ainda que o país já possui um marco regulatório que define as normas de atuação para as organizações da sociedade civil e que não há a necessidade de interferência estatal. As entidades lembram também que podem ser fiscalizadas e, em caso de descumprimento da legislação, punidas pelo Poder Judiciário e órgãos como Ministério Público, Receita Federal e Tribunais de Contas.

"Preservar a autonomia da atuação das organizações não governamentais é, portanto, fundamental para o desenvolvimento de uma sociedade aberta e efetivamente democrática", acrescenta o texto.

As entidades reconhecem a relevância de fiscalizar recursos públicos e aprimorar serviços e políticas públicas, mas ponderam que iniciativas neste sentido devem seguir os princípios constitucionais, que são contrários a interferência na atuação das organizações.

"As organizações da sociedade civil atuam de maneira próxima à população na representação de direitos e interesses de diversos segmentos, podendo através dessas atividades, colaborar para construção de políticas públicas mais eficazes e eficientes para atender às demandas da população", diz a carta.

O documento termina com um pedido de audiência com o ministro para debater o tema. As entidades esperam ainda que o decreto seja retificado.

A carta foi enviada também para os presidentes da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, e do Senado, Eunício de Oliveira, e para a procuradora-geral da República, Raquel Dodge.

O monitoramento das organizações foi estipulado num decreto publicado há uma semana. A Secretaria de Governo será a responsável por essa função. A medida foi criticada por ativistas, políticos da oposição e especialistas. Ao longo de sua vida política e durante a campanha presidencial, Bolsonaro fez uma série de críticas à atuação de ONGs no Brasil.

De acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), cerca de 820 mil ONGs com diversas finalidades atuam no país. As principais áreas de atuação das organização são na defesa de liberdades individuais e na melhoria das condições de saúde e educação do país.

Leia mais