Alemanha, o ódio social desencadeia agressões contra os refugiados. A análise de dois economistas

Parlamento Alemão | Foto: Reprodução Facebbok AfD

Mais Lidos

  • Pio X e a “participação ativa”: a diferença sagrada entre celebrar e presidir. Artigo de Andrea Grillo

    LER MAIS
  • O intelectual catalão, que é o sociólogo de língua espanhola mais citado no mundo, defende a necessidade de uma maior espiritualidade em tempos de profunda crise

    “O mundo está em processo de autodestruição”. Entrevista com Manuel Castells

    LER MAIS
  • Trump usa a agressão contra a Venezuela para ameaçar os governos das Américas que não se submetem aos EUA

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

28 Agosto 2018

Dois acadêmicos alemães da Universidade de Warwick demonstraram que existe uma clara correlação entre as manifestações virtuais e os ataques reais.

A reportagem é de Tonia Mastrobuoni, publicada por La Repubblica, 23-08-2018. A tradução é de Luisa Rabolini.

Existe um nexo entre as postagens do ódio contra os refugiados que infestam as mídias sociais e os ataques contra os centros de acolhimento ou as manifestações racistas ou as agressões xenófobas aos refugiados? Dois acadêmicos alemães da Universidade de Warwick estão convencidos que sim. Ao analisar em detalhe a página do Facebook da AfD, da direita populista alemã, e 3.335 agressões contra refugiados ocorridos nos anos mais quentes das chegadas na Alemanha, 2015-2017, Carlos Schwarz e Karsten Müller demonstraram que existe uma clara correlação entre manifestações virtuais e os ataques reais.

Nas palavras dois economistas, "os sentimentos antirrefugiados no Facebook predizem crimes violentos contra os refugiados". As mídias sociais, conforme é relatado em sua pesquisa, "podem se tornar um veículo entre os discursos do ódio e os acidentes reais".

Schwarz e Müller optaram por se concentrar em milhares de posts e comentários que apareceram nas páginas do Facebook dos populistas de direita do AfD por razões práticas. A rede social de Zuckerberg é a mais popular. Enquanto a AfD, além de contar com 300 mil seguidores, um número sem igual entre os partidos alemães, é também a mais "aberta", não tendo moderadores para os comentários e até mesmo permitindo que os usuários escrevam posts. Mesmo os comentários mais racistas e despudorados não são filtrados. Um ímã para os extremistas de direita que gostariam de atingir um público mais amplo.

Os autores realizaram uma análise minuciosa de 176 mil posts, 290 mil comentários, 500 mil curtidas e tentaram, sempre que possível, identificar a origem dos usuários para estabelecer uma relação entre momentos de campanhas de ódio com determinados gestos racistas ocorridos no mesmo período. Inclusive examinando momentos em que no site da Afd apareciam notícias diversas, sobre Trump ou o Brexit, por exemplo, em suma, que distraiam da crise dos refugiados.

E, mesmo em tais casos, os dois economistas alemães encontraram uma confirmação de sua tese: quando os debates se deslocavam para outros temas, os crimes e as agressões contra os refugiados diminuíam.

Leia mais