Na Alemanha, cônjuges protestantes de católicos poderão comungar

Foto: Pixabay

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27 Fevereiro 2018

Na Alemanha, cônjuges protestantes de fiéis católicos poderão comungar “em casos individuais” e “sob certas condições”. Isto foi decidido pelos bispos do país reunidos em sua assembleia de primavera, que se manifestaram com grande maioria de votos, após um “intenso debate”, pela elaboração de uma série de diretrizes pastorais com vistas a responder à “angústia espiritual séria” que sofrem os cônjuges de matrimônios mistos.

A reportagem é de Cameron Doody, publicada por Religión Digital, 23-02-2018. A tradução é de André Langer.

De acordo com notícia divulgada pelo katholisch.de, o sítio oficial da Igreja alemã, esta nova proposta de intercomunhão entre católicos e protestantes responde ao fato de que “a fome espiritual para receber a comunhão juntos nos casamentos entre cristãos de diferentes denominações pode ser tão forte que ameaça o casamento e a fé”.

Para esses cônjuges, que “querem viver seu matrimônio plenamente” como um casal cristão, os bispos alemães propõem um processo de “discernimento espiritual cuidadoso”, que consistiria em “um exame maduro” da consciência “em conversa com seu padre ou outra pessoa encarregada pela pastoral”, e que os levaria a “afirmar a fé da Igreja católica e a concluir que há ‘uma séria necessidade espiritual’ que os leve a realizar o desejo de receber a Eucaristia e aproximar-se da mesa do Senhor e receber a comunhão”.

De acordo com o anúncio oficial da nova orientação da Igreja alemã, o “diretório” para a intercomunhão, que se espera estar pronto em questão de semanas, é destinado aos agentes de pastoral em circunstâncias particulares, para ajudá-los a “considerar a situação concreta e chegar a uma decisão responsável sobre a possibilidade de o cônjuge não católico receber a comunhão”.

O cardeal Reinhard Marx, presidente da Conferência Episcopal da Alemanha, também esclareceu que, como se trata de um documento pastoral, a proposta não precisa da aprovação do Vaticano, e também que dependerá de cada bispo a maneira exata de como será aplicada em cada diocese.

Embora os bispos alemães queiram perseguir esta questão como uma prioridade, continuou Marx, a verdade é que “não queremos mudar nenhuma doutrina”, nem impor a conversão como condição prévia para que os protestantes comunguem.

A Igreja Evangélica da Alemanha (EKD) reagiu com alegria à decisão tomada pelos bispos católicos do país, qualificando-a como “um passo importante no caminho do ecumenismo”.

“Para as pessoas que compartilham não apenas sua fé, mas sua vida com outra pessoa, isso é um verdadeiro alívio”, respondeu o presidente do conselho EKD, Heinrich Bedford-Strohm. “A decisão [dos bispos alemães] destaca que a necessidade de casais mistos estarem juntos na mesa do Senhor é ouvida e compreendida pela Conferência Episcopal”, acrescentou.

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