Aviso aos Navegantes: Alegria pascal de uma Igreja em saída

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17 Abril 2017

A alegria que brota da proximidade com o Evangelho tem seu fundamento nos três mistérios da nossa fé: Natal como festa da encarnação de Deus no meio de nós, Páscoa como ressurreição e libertação, e Pentecostes como envio ao mundo plural e encontro com a humanidade. Os três mistérios configuram uma única festa, que é trinitária, portanto, comunitária, missionária e pascal. A alegria da Igreja em saída é a alegria da experiência pascal, fogo debaixo das cinzas, utopia que se livrou das amarras consentidas e venceu o desencanto do absurdo. As alegrias da Igreja em saída são muitas:


- A encarnação como alegria da proximidade;
- A missão pentecostal como alegria de ser enviado ao encontro do Outro;
- O diálogo como alegria de comunicar-se com humildade;
- A misericórdia como alegria de acolher e ser acolhido;
- A sinodalidade como alegria de caminhar juntos com o Ressuscitado em nosso meio;
- A Páscoa como alegria do êxodo de múltiplas escravidões, alegria de ser Igreja em saída de prisões e privilégios, prestígios e poderes, agraciada pelo Filho de Deus com o horizonte de ressurreição.

Todas essas alegrias apontam para lugares onde se concentra a presença de Deus na miséria humana. A comunidade missionária “acompanha a humanidade em todos os seus processos, por mais duros e demorados que sejam” nos consola o Papa Francisco (EG 24): “No irmão, está o prolongamento permanente da Encarnação” (EG 179).

A Igreja em saída parte para o encontro com marginalizados e marginais, fugitivos e refugiados, pobres e feridos, excluídos e não reconhecidos. Esses encontros são encontros com Deus, que no presépio se fez pequeno; no Egito se fez um refugiado; no Monte das oliveiras, um desesperado; no tribunal, um acusado; na cruz, um condenado à morte, traído por seguidores e, aparentemente, abandonado por Deus, contudo, ressuscitado.

Ao descobrir a alegria do Evangelho no mistério pascal conseguimos escapar da “alegre irresponsabilidade” (LS 59) da sociedade de espetáculo e descobrir na “sobriedade feliz” (LS 224s) o Ressuscitado como razão da nossa esperança, partilhada com todos.

Feliz Páscoa 2017
Paulo Suess

Paulo Suess é doutor em Teologia Fundamental com um trabalho sobre Catolicismo popular no Brasil, fundador do curso de Pós-Graduação em Missiologia, na Pontifícia Faculdade Nossa Senhora da Assunção, em São Paulo, assessor teológico do Conselho Indigenista Missionário – Cimi e professor no ciclo de Pós-Graduação em Missiologia, no Instituto Teológico de São Paulo – ITESP. 

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