Sobre a Amoris laetitia, bons ares de onde menos se espera

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31 Janeiro 2017

Na última sexta-feira, 27 de janeiro, no jornal Il Foglio: “É verdade, a doutrina não basta, mas o bergoglismo também de pouco serve”. Normalmente, os ares são diferentes. Você não gosta daquele “bergoglismo” – os “ares” de sempre –, mas, no texto, Luca Diotallevi consegue escrever coisas a partir daquelas partes incômodas.

O comentário é do vaticanista italiano Gianni Gennari, em artigo publicado no jornal Avvenire, 28-01-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Por exemplo, que “a verdade cristã não é uma série de fórmulas cristalizadas, mas uma vida que se desenrola no tempo, também com aparentes contradições”. E cita Santo Agostinho: “Deus pode pedir coisas hoje que ontem proibia”.

Duro, para quem pensa que verdade e conceito são toda a realidade, enquanto está também é vida que flui de forma diferente na única luz de uma Palavra (com P maiúscula!) que, no tempo, pode ser, pouco a pouco, mais ou menos compreendida e praticada. E assim é “Bem-aventurado quem ouve a Palavra de Deus e a põe em prática!” (Lc. 11, 28).

Você lê e se lembra do Papa João XXIII e do seu Gaudet Mater Ecclesia na fonte do Vaticano II (11-10-1962): a Palavra não muda. Somos nós que a compreendemos melhor. E Diotallevi – mérito seu – consegue apresentar a chave para superar a aparente contradição: “O horizonte é o do discernimento, não o das deduções”.

Perfeito! Que pense nisso quem afirma que o Papa Francisco “não é claro”, levantando dúvidas devidas apenas à rejeição do discernimento. É justamente esse, muito claramente, o principal produto da Amoris laetitia! O importante é ler tudo, e bem, sem parar e fingir que não há nada mais do que algo que não toca a música com a qual, por tanto tempo, estamos acostumados.

“Discernimento” inaciano? Sim, mas também “paulino” e original – único na Palavra – para as condições de acesso à Eucaristia: “Cada um examine – dokimazéto: imperativo justamente do verbo “discernir” – a si mesmo antes de comer deste pão e beber deste cálice” (1Cor 11, 28). Bons ares.

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