Abrace o pequeno, o livre, o simples. Comentário de Consuelo Vélez

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04 Julho 2026

O Evangelho de hoje nos chama à conversão, a abraçar o pequeno, o que é dado gratuitamente, as coisas simples que Jesus nos revelou, e a não mais nos deixarmos aprisionar por sabedorias que se recusam a aceitar a lógica contracultural do nosso Deus.

O comentário é de Consuelo Vélez, teóloga colombiana, publicado por Religión Digital, 12-05-2026.

Eis o comentário.

Naquele tempo, Jesus disse: “Eu te louvo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas dos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, porque assim foi do teu agrado. Todas as coisas me foram entregues por meu Pai. Ninguém conhece o Filho, senão o Pai; e ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aqueles a quem o Filho o quiser revelar. Vinde a mim, todos os que estais cansados ​​e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve” (Mateus 11:25-30).

O Evangelho de hoje, embora muito breve, pode ser dividido em três partes. Na primeira, Jesus se dirige ao Pai. Na segunda, ele fala aos seus ouvintes sobre o seu relacionamento com o Pai, e na terceira, ele os convida a viver a sua mensagem.

Antes dessa passagem, Jesus amaldiçoou as cidades de Corazim, Betsaida e Cafarnaum porque elas não acolheram sua mensagem, apesar de possuírem grupos rabínicos que se consideram sábios e inteligentes. Em contraste, Jesus se dirige ao Pai, agradecendo-lhe pela revelação feita às crianças. A comunidade de Mateus representa essas crianças que acolheram a revelação, ao contrário dos judeus que se recusam a fazê-lo. Daí o jogo de palavras entre o oculto e o revelado, que corresponde àqueles que acolhem a revelação e àqueles que se fecham a ela. Não é Deus quem esconde sua mensagem; é a sabedoria do mundo que rejeita a revelação divina.

A segunda parte diz respeito à relação de Jesus com o Pai. Foi da vontade de Deus revelar-se por meio do Filho e, portanto, quem acolhe o Filho poderá conhecer a sua vontade.

Na terceira e última parte do texto, Jesus convida os cansados ​​e sobrecarregados a aceitarem o seu jugo, que é suave e leve. Isso alude ao pesado jugo que os fariseus impõem aos outros e que eles próprios tantas vezes deixam de sustentar. O reino proclamado por Jesus vem para aliviar todos os fardos, para transformar todas as aflições. De fato, os primeiros a receber o reino são os humildes, os pobres.

Hoje é fácil perceber que o contraste persiste, e muitas vezes são "os pobres que nos evangelizam", porque a religião institucionalizada nada mais faz do que fechar portas, impor fardos e reter a salvação que Deus quer que alcance a todos, a começar pelos mais humildes. O texto nos chama à conversão, a abraçar o pequeno, o que é dado gratuitamente, as coisas simples que Jesus nos revelou, e a não mais nos deixarmos aprisionar por sabedorias que se recusam a aceitar a lógica contracultural do nosso Deus.

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