Trump, Macron e a impotência do pacifismo

Foto: The White House

Mais Lidos

  • Conhecer Jesus. Artigo de Eduardo Hoornaert

    LER MAIS
  • Freira de 82 anos é morta em convento brasileiro

    LER MAIS
  • Para o pesquisador e membro do coletivo Aceleracionismo Amazônico, é necessário repensar radicalmente as possibilidades políticas tributárias de um paradigma prenhe de vícios modernos

    Pensar de modo abolicionista produz uma ética da generosidade. Entrevista especial com Bräulio Marques Rodrigues

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

18 Abril 2018

Papa Francisco lança um apelo, o enésimo a "todos os responsáveis políticos" para que na Síria prevaleçam "a justiça e a paz". Convida "as pessoas de boa vontade" a orar. Elas, certamente, farão isso, cada um em diálogo íntimo com o divino. Porém elas não são mais um movimento, já não são mais massa crítica. Já faz algum tempo desapareceram conspicuamente do espaço público as bandeiras do arco-íris, as ruas estão órfãs daqueles que desfilavam contra a guerra com o slogan absoluto "sem se e sem mas". Inclusive no último caso do Oriente Médio, como em muitos outros recentes, os ‘se’ e ‘mas’, ao contrário, não faltam. Ficar contra Donald Trump e implicitamente defender o ditador Assad acusado de usar gás? Ficar contra Assad e incentivar a facção dos rebeldes fincada em posições jihadistas? E quem realmente usou armas químicas?

O comentário é de Gigi Riva, publicado por La Repubblica, 15-04-2018. A tradução é de Luisa Rabolini.

As perguntas, todas legítimas, já não conseguem mais disfarçar um compromisso que já cessou há muito tempo. O pacifismo já estava moribundo, sufocado pela própria impotência, devido a uma série de derrotas históricas que provocaram frustração e desencanto. Na sua versão mais intransigente recusava qualquer tipo de intervenção, incluindo aquela defendida por outro papa, João Paulo II, quando se lutava (em 1992) pelo direito e o dever de ingerência humanitária na Bósnia. Três anos mais tarde, o bombardeio sobre as posições sérvias nos arredores de Sarajevo, que não durou mais do que alguns dias, provocou o fim do conflito e o início de uma reflexão tardia entre aqueles em faziam uma corrente humana ao redor da base aérea de Aviano para tentar impedir a decolagem dos caças americanos. A prova mais evidente de que não existe uma fórmula apropriada a todas as circunstâncias. E em ocasiões fatais como as guerras é sempre o caso de arregaçar as mangas e pacientemente avaliar se uma intervenção é destinada a aumentar ou diminuir o nível de violência. Nos Bálcãs, reduziu.

Ao contrário do que aconteceu oito anos mais tarde, com a invasão do Iraque por parte de George Bush filho, cujo legado são os conflitos ainda abertos. Para parar aquela infeliz tentativa de "exportar a democracia" saíram às ruas, em todo o mundo, cem milhões de pessoas (um milhão na Itália). Não serviu para nada: o pacifismo tocou o ápice da expansão e o início da desilusão. Houve protestos, do Vietnã em diante, contra as guerras dos outros. Testemunhos, oposições de princípio abstratas como a distância.

Depois das Torres Gêmeas, do Iraque e do consequente terrorismo global, resultou cada vez mais complicado ser pacifistas, por causa da sensação de ter a guerra em casa. A neutralidade tornou-se um luxo. Ganham as posições definidas. Com o inimigo às portas, o pacifismo acabou no impedimento.

Uma pena realmente, até para aqueles que o contestavam. Porque é justamente a sua falta, hoje, que impede o desenvolvimento da dialética em torno de um tema tão crucial. As brigas, mesmo furiosas, dos anos 1990 e 2010s entre intervencionistas e contrários, tinham o valor precioso de incutir a dúvida, em campos opostos. O cidadão-eleitor tinha a sensação de poder afetar o processo político mais dramático, a escolha entre a paz e a guerra.

Hoje, o campo está limpo. Trump, feito um Dr. Fantástico, "pune" a Síria, despeja a superbomba no Afeganistão, ameaça a Coreia do Norte, sem que se veja no horizonte sinais de uma manifestação. Sem que haja um contrapeso ao seu incontinente belicismo. Se era deletério um excessivo pacifismo, é igualmente nefasta a sua total ausência.

Leia mais