Mártires da terra. São 197 as pessoas engajadas na defesa do meio ambiente que foram assassinadas no ano passado

Foto: Joaquim Prado/ Flickr

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11 Fevereiro 2018

Alguém os definiu como os mártires da terra, mortos em nome da Laudato si’. São as vítimas de uma guerra silenciosa que está sendo travada nos diferentes cantos do mundo e, em 2017, fez 197 vítimas, de acordo com a Global Witness, a ONG que todo ano traça o trágico balanço. Uma guerra sangrenta, embora amplamente ignorada – os mortos são na maioria camponeses, ativistas, simples indígenas que se opõem à exploração indiscriminada do território –, mas que reaflora de tempos em tempos quando é atingido algum personagem mais conhecido. Como Esmond Bradley Martin, um geógrafo norte-americano de 76 anos, ex-enviado especial da ONU para a proteção dos rinocerontes, que há trinta anos vivia no Quênia e várias vezes tinha arriscado sua vida nas mãos de caçadores clandestinos.

A reportagem é de Gaetano Vallini, publicada por L'Osservatore Romano, 08-09 de fevereiro 2018. A tradução é de Luisa Rabolini

Ele foi assassinado domingo em sua casa, em Nairobi. Um assalto que não deu certo, segundo a polícia, mas alguns duvidam.

O nome de Martin não aparece no último relatório da Global Witness, em colaboração com o "The Guardian". Provavelmente aparecerá no próximo. No passado, outras figuras conhecidas foram citadas, como Berta Cáceres, ativista hondurenha, vencedora em 2015 do prestigioso Prêmio Ambiental Goldman, considerado o Nobel para o ambiente. Em 28 de outubro de 2014, estava no Vaticano para participar dos movimentos populares e teve a oportunidade de ouvir as palavras do Papa, aqueles três T – tierra, techo y trabajo (terra, moradia e trabalho) – que confirmavam o seu empenho, e de outros ativistas, e que de alguma forma antecipavam a encíclica sobre a proteção da criação. Cáceres foi assassinada em 3 de março de 2016.

Não importa se foram traficantes, empresas privadas ou governamentais: os interesses econômicos não parecem admitir obstáculos, acabam com qualquer um que se oponha a eles. A Global Witness fala de duas mortes por semana desde 2002. Mas no ano passado a média dobrou, como em 2016, quando atingiu o trágico recorde de 200 vítimas. Uma verdadeira tragédia que afeta principalmente a América Latina e, em especial, a área amazônica, onde são mais fortes os interesses ligados a setores agrícolas e de mineração (60% das mortes).

As mais afetadas são as populações indígenas, às quais o Papa várias vezes, também na recente visita ao Chile e Peru, reconheceu um papel fundamental na proteção do meio ambiente. Os últimos números são alarmantes: 46 mortos no Brasil, 32 na Colômbia, 15 no México, mas também outros países, como Guatemala, Nicarágua, Honduras e Peru, tiveram que contar vítimas.

Também a Ásia e a África pagam um preço elevado. Por exemplo, nas Filipinas, um dos países mais perigosos para os ativistas, 41 pessoas foram assassinadas. Na República Democrática do Congo, houve 13 assassinatos; neste caso, foi de guardas de áreas protegidas.

Com seus relatórios, a Global Witness continua a manter acesos os refletores sobre um fenômeno que cresce de forma alarmante, mas que é difícil combater. Interesses colossais, muitas vezes alimentados por corrupção, encontram cumplicidade em demasia. Os assassinos quase sempre ficam impunes. E aqueles que lutam na linha de frente, muitas vezes, estão sozinhos e indefesos. "Enquanto as empresas, os investidores e os governos realmente não incluírem as comunidades nas decisões sobre o uso de suas terras e recursos naturais – ressalta Rachel Cox, da Global Witness –, as pessoas que ousarem falar claramente continuarão a sofrer violências, prisões e a perder a vida". 

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