A alma é compartilhar e amar: a grande proximidade entre o cardeal e o diretor de cinema

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21 Setembro 2017

Compartilhar e amar: é esse o sentido da alma? Uma linha reta que desposa a força revolucionária do diálogo, remédio para sedar o tumulto das dúvidas e a percepção de que, além da escuridão, sempre há luz?

A reportagem é de Paolo Baldini, publicada no jornal Corriere della Sera, 19-09-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

As imagens se sobrepõem. Existe uma extraordinária identificação emocional entre Carlo Maria Martini e Ermanno Olmi. Entre o arcebispo de Milão que devia ser papa, entre o intelectual que se torna um insuperável pastor e, um mês antes de morrer, em 31 de agosto de 2012, disse que “a Igreja está atrasada em 200 anos”, entre o biblista da Cátedra dos Não Crentes e o magnífico diretor de Il posto (1961), I fidanzati (1963), Il mestiere delle armi (2001) e Torneranno i prati (2014), que representou a sensibilidade criativa e a clarividência de Milão.

Os dois se frequentaram, se escutaram e se estimaram. Marco Garzonio, que dedicou ao cardeal os seus melhores livros, conectou origens e desenvolvimentos da relação Martini-Olmi dos quais nasceram, primeiro, um filme, Vedete, sono uno di voi [Vejam, sou um de vocês], e, agora, uma entrevista com o mesmo título, junto com declarações de intenção e diário de bordo (publicado pela editora Àncora).

O cardeal amava os poetas, “porque eles sabem captar o sentido de uma comunidade e das almas que a compõem”. Para Olmi, “narrar é fazer a história de uma mudança”. Ideia na base também de E venne un uomo [E veio um homem], o filme com Rod Steiger que o diretor de Bérgamo dedicou em 1965 ao Papa João XXIII.

Duas personalidades próximas, Roncalli e Martini, apesar do contexto histórico diferente em que atuaram: o primeiro, nos anos da ameaça nuclear, do Muro, dos mísseis soviéticos em Cuba; o segundo, do terrorismo das Brigadas Vermelhas, dos massacres da máfia, do Tangentopoli, do fim dos partidos.

A fímbria do manto, o pastor que sente o cheiro das ovelhas, “a cruzada do bem com a força dos honestos”, título do editorial que o cardeal assinou na primeira página do Corriere della Sera em 31 de julho de 2011.

O discurso, no filme e na entrevista, continua: grande pobreza, solidões urbanas, fertilização artificial, fim da vida. O celibato dos padres e a ordenação feminina, à qual Martini se abriu. A última residência, no Instituto Aloisianum de Gallarate, com o padre Damiano Modena. As cidades do coração: Turim, onde nasceu; Milão, onde foi um arcebispo muito amado; Jerusalém, o lugar da meditação.

Olmi segue o caminho do cardeal como “oportunidade para reviver emocionalmente a nossa própria existência”. Não há julgamento, apenas uma convicção: “Quando eu tiver acabado o trabalho sobre Martini, saberei que concluí a minha tarefa na vida”.

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