Premiar aqueles que criam postos de trabalho: a responsabilidade social para além da lógica do lucro

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17 Março 2017

“Como empresário laico, eu compartilho do modo mais absoluto aquilo que o Papa Francisco declarou: fechar empresas – talvez subsidiadas com dinheiro público – por mera especulação econômica e deixar em casa centenas de trabalhadores, antes ainda que um pecado, é um grave dano para a coletividade e um furto ao Estado”.

A reportagem é de Daniele Garavaglia, publicada no jornal Avvenire, 16-03-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Marco Durante, diretor-executivo da Phonetica, empresa italiana de ponta, ativa no setor dos call-centers, não tem dúvidas. Recentemente, ele testemunhou diversos casos de demissões em massa: “Eu falo com a consciência de quem sempre atuou em sedes italianas, continuando a contratar pessoal e sem nunca demitir, nem mesmo nos momentos de crise”.

Hoje, a Phonetica emprega mais de 600 trabalhadores e continua investindo na qualificação dos recursos humanos, na certeza de que a progressiva automatização dos procedimentos exigirá mais capacidade e qualidade de serviço ao consumidor.

Para Durante, o modelo “morde e foge” deplorado por Bergoglio é típico daqueles empresários ou executivos que abrem fábricas apenas para explorar os incentivos e os benefícios fiscais, para depois fechar e se realocar no exterior, quando o “jogo” não é mais conveniente: “Uma empresa não pode ser criada e gerida apenas para gerar lucros financeiros. Há uma responsabilidade social bem precisa em relação à coletividade, que começa justamente a partir da manutenção e, possivelmente, do incremento dos postos de trabalho. Contanto que o empresário esteja em condições de fazer bem o seu trabalho”.

Por isso, Durante expressou o seu apreço à recente iniciativa de regulamentação do setor por parte do ministro do Desenvolvimento Econômico italiano, Carlo Calenda: “Como Phonetica, damos o nosso apoio à realização de um protocolo que proteja o trabalho dos operadores na Itália. O nosso modelo totalmente made in Italy é o exemplo de um ‘mundo possível’: os nossos centros de serviços operam de acordo com as normas vigentes, e os operadores estão satisfeitos com o seu trabalho, sinal de que um negócio sem deslocalização e exploração é sustentável. O importante é que haja regras e que elas sejam respeitadas por todos”.

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