Filme da Lava Jato acenará para homenagem ao midiatismo da operação

Imagem: YouTube

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15 Fevereiro 2017

A principal investigação em curso no país, a Operação Lava Jato, será narrada em um longa de ficção nos cinemas sob o ponto de vista da Polícia Federal. A estreia da primeira parte – do que será uma trilogia de filmes – está prevista para julho deste ano, com 2 horas e 10 minutos.

A reportagem é de Fernanda Valente e publicada por Justificando, 13-02-2017.

Com orçamento de R$ 15 milhões e investidores não identificados, assim como na “vida real”, “Lava Jato-A Lei é para Todos” parece ser mais um episódio da atuação político-midiática em torno da operação. De acordo com a reportagem do jornal Folha de S. Paulo, que foi convidada para acompanhar as filmagens na semana passada, o filme abordará começo da investigação e terminará com a condução coercitiva de Lula para prestar depoimento na PF, antes de virar réu na Lava Jato.

O filme conta com um elenco global que, em suma, foi assumidamente a favor do impeachment de Dilma Rousseff. Ary Fontoura interpreta Lula; Marcelo Serrado, vive o juiz Sérgio Moro, Antonio Calloni, é o delegado Igor Romário de Paula. Arma, uniforme, carro, helicóptero e até mesmo aviões foram cedidos pela Polícia Federal para a superprodução do filme.

Acerca do caráter imparcial, o teólogo Wagner Francesco, e também pesquisador em áreas de Direito Penal e Processual Penal, ironizou em suas redes sociais. “Um filme usou arma, uniforme, carro, helicóptero e avião, pagos com dinheiro público, para levar até você a visão imparcial da PF sobre a Lava Jato“, escreveu.

O Justificando tentou contato com a assessoria da Polícia Federal para mais informações sobre os equipamentos cedidos para a gravação, mas até o fechamento desta matéria não obteve resposta.

Ainda de acordo com a reportagem da Folha, na cena da prisão do ex-presidente Lula “o depoente ameaçaria: ‘eu vou voltar a ser presidente em 2018 e lembrarei da cara de cada um de vocês. Me aguardem'”. Tal maneira de conduzir as narrações já indicam o caráter especulatório acerca da reeleição de Lula. Uma parcela da comunidade jurídica concorda que há um certo receio de Lula nas eleições de 2018 e como o jurista Juarez Cirino dos Santos já explicitou, “se não conseguiram destruir a imagem de Lula, precisam inviabilizá-lo politicamente”.

A espetacularização em torno da Lava Jato já é grande conhecida no cenário mundial. Agora, no entanto, um “investidor secreto” deseja eternizar esse período da história nacional em uma trilogia. Mas como o próprio diretor do filme, Marcelo Antunez, afirmou à imprensa, “tem gente que vai ver que nós tentamos [a neutralidade], e tem gente que vai dizer que não adiantou nada”.

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