Para Donald Trump, a tortura de presos “funciona”

Imagem: Donald Trump / Fotos Públicas

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27 Janeiro 2017

O Presidente dos Estados Unidos disse que vai fazer o que for preciso pela segurança do seu país. “Quando o Estado Islâmico estiver cortando as cabeças de nosso povo... temos que combater fogo com fogo”. Também estuda retomar as prisões secretas no exterior.

A reportagem FOI publicada por Página/12, 26-01-2017. A tradução é de André Langer.

Trump manifestou-se a favor da aplicação de técnicas de tortura na chamada “guerra contra o terrorismo”.

Na quarta-feira, Donald Trump ratificou outra proposta de campanha e manifestou-se novamente a favor da aplicação do “submarino” (“waterboarding” em inglês) como método de interrogatório na chamada “guerra contra o terrorismo”, poucas horas após os jornais The New York Times e The Washington Post tornarem público um suposto rascunho para reabrir as prisões secretas e rever os métodos dos interrogatórios.

“Vou fazer o que for preciso para manter o nosso povo seguro”, argumento Trump durante uma entrevista exclusiva à cadeia estadunidense ABC diante da pergunta sobre aquela promessa de campanha de retomar práticas de tortura. O presidente estadunidense destacou que confia em seu gabinete e disse que está avaliando o restabelecimento do “submarino” como uma técnica de interrogatório, que depende do conselho do secretário de Defesa, James Mattis, e do diretor da CIA, Mike Pompeo.

“Vou confiar em Pompeo e Mattis e no meu grupo. E se não querem fazê-lo, está bem. Se eles querem fazê-lo, então trabalharei para esse objetivo. Quero fazer tudo dentro dos limites do que legalmente é permitido”, disse Trump durante a entrevista na Casa Branca. “Mas, penso que funciona? Absolutamente, creio que funciona”. Trump explicou que é importante voltar a considerar essa técnica de interrogação porque, “não estamos jogando em um campo igual”.

“Você é agora o presidente. Quer o submarino...”, insistiu o jornalista da ABC. “Quando estão cortando as cabeças do nosso povo e de outras pessoas, quando estão cortando as cabeças das pessoas porque são cristãs no Oriente Médio, quando o Estado Islâmico faz coisas de que ninguém ouviu falar desde os tempos medievais, sinto-me decidido em relação ao ‘submarino’? No que me diz respeito, temos que combater fogo com fogo”, disse.

“Vou fazer o que disserem”, disse Trump sobre Mattis e Pompeo. “Mas, em menos de 24 horas falei com pessoas do mais alto nível de inteligência e lhes fiz a seguinte pergunta: ‘Funciona? A tortura funciona?’ E a resposta foi ‘Sim, absolutamente’”.

Durante a campanha de 2016, Trump prometeu retomar o uso do “submarino” e outras técnicas de interrogatório melhoradas. “Desde meados da Idade Média, as pessoas viam o que estava acontecendo; eu retomaria o ‘submarino’ e traria um inferno muito pior do que o ‘submarino’”, disse Trump ao apresentador David Muir durante o Debate das Primárias Republicanas de New Hampshire em fevereiro passado.

Mas a posição de Trump sobre o uso do “submarino” parece divergir de alguns de seus escolhidos para o gabinete. Em uma entrevista para o New York Times no ano passado, Trump disse que estava “impressionado” com uma recomendação de Mattis, que naquele momento estava sendo cogitado para a Secretaria da Defesa. “Eu perguntei: o que pensa do ‘submarino’? Ele respondeu, e me surpreendeu: “Nunca achei que fosse útil. Dá-me um maço de cigarros e algumas cervejas e me sinto melhor com isso para a tortura. E fiquei muito impressionado com essa resposta. Surpreendeu-me, porque ele é conhecido como o tipo mais duro”, disse Trump ao New York Times.

Durante a sua audiência de confirmação para o cargo de Diretor da CIA, foi perguntado a Pompeo se cumpriria ordem presidencial de Trump pedindo a reativação de técnicas de interrogatório melhoradas que foram excluídas do Manual de Campo do Exército.

“De jeito nenhum. Por outro lado, não posso imaginar que o presidente eleito me peça isso – disse Pompeo –; não há dúvida na minha mente sobre as limitações impostas não apenas ao Departamento de Defesa, mas também à agência de inteligência. Sempre cumprirei com a lei”.

Os comentários de Trump feitas na quarta-feira surgem no contexto da existência de um rascunho de ordem da Administração que indica que o presidente está considerando uma revisão dos interrogatórios terroristas e a possível reabertura de prisões secretas da CIA fora dos Estados Unidos.

O porta-voz Sean Spicer garantiu, na quarta-feira, a jornalistas que o suposto rascunho publicado pelos jornais The New York Times e The Washington Post sobre a retomada das detenções ilegais em cárceres secretas era um documento da Casa Branca, mas que não faria mais comentários.

O texto divulgado pelos jornais propõe as regras com que o governo estadunidense circunscreve a chamada “guerra contra o terrorismo”, um conflito com alcance global iniciado pelo ex-presidente George W. Bush e continuado, com modificações, por seu sucessor, Barack Obama. Entre as reformas do suposto rascunho de decreto presidencial, intitulado “Detenção e interrogatórios de combatentes estrangeiros”, destaca-se a reabertura de prisões secretas da CIA e a revisão do Manual de Operações, que estabelece quais métodos de interrogação são legais e quais são considerados tortura.

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